O universo dança um maldito balé ao som da oitava sinfonia de Mahler. Suavemente se desenrola, abrindo sua maldita sacola de surpresas e lançando ao ar brilhantes diamantes que aumentam nossa ambição, para nos fazer podres hienas, sorridentes, que não sabem do que rir. Apenas mostramos nossos dentes, em sinal de desdém em relação a vida. A neurose espontânea e constante nos embaraça ao nos entrelaçar junto a vida, num nó apertado, como de marinheiro que navega por mares distantes, não distantes da família, mas de seu vício: as ruas. Ruas essas que conduzem largos passos de ninguém. O ninguém que pode ser você, batendo pernas em meio a uma piscina de lama ambiciosa. Aquela ambição brilhante como diamante. Será que tem valor? Seria um zircônio?
Nós não podemos, ó Deus, nós não podemos!
Abre seu peito, incrível mestre platinado. Abre seus olhos, mentor incandescente. Os caminhos não são o que você parece, pupílo, pupíla dos meu olhos. Saiam vapores da madrugada, ganhem suas vias, aqueçam os vermes que se aglutinam e se amontoam em meio à falsa, à zircônica calma de alguns minutos onde ninguém ambiciona. Onde o sono cobre por instantes o vigor do querer.
Te quero, te desejo. Você é minha ambição. O infinito não é mais sem fim, graças a você.
Violinos, dilacerem minhas veias coronárias, obstruam o oxigênio. E o balé que agora meu sangue dança, ainda ao som da oitava sinfonia de Mahler, se torna cada vez mais dramático enquanto a previsão de minha morte se desenha em papéis opacos e obscuros. Ah vida! Como sinto sua falta aqui na terra de ninguém. Aqui na terra de você. Como sentirei falta de vocês, meu amigos.
Até terminar, seremos assim. Não pare a luta, carneiro de ouro. Muitos ainda hão de se prostar diante de sua imagem de distração. Nem vinte mandamentos segurariam um povo tão ambicioso. A ambição de trair, a ambição de conquistar terras de um dono que não conhecem. Nem trinta mandamentos, Deus, nem trinta. E Canaã está distante, EU SOU!
Somos amaldiçoados por um mal que não sabemos de onde veio.
Lúcifer, de onde você surrupiou o mal?
quinta-feira, dezembro 20, 2007
domingo, novembro 18, 2007
Chuva, Whisky, smog e Anotações sobre a vida no litoral
Longe da soturna e efervescente São Paulo, me vejo diante de uma tarde de chuva e relâmpagos em Ubatuba. Sozinho em casa e sem a menor satisfação com essa 'nova vida', sentei numa cadeira no lado de fora da casa e alcancei meu maço de cigarros. Carlton. Os Luckies estão em extinção nessa terra. O atendente do bar Campeão me prometeu Luckies para segunda. Aposto que serão Luckies vermelhos. Tô fodido. Olhei para o céu, a tonalidade do cinza escurece a cada segundo e me traz mais saudade, de São Paulo, daquela camada opaca de poluição que eu costumava ver do vigésimo segundo andar. Pensei num som que poderia ouvir, para me afundar nessa pseudo-depressão que venho desenvolvendo. Mesmo com minha mãe por aqui, não vejo motivos para me integrar nesse novo estilo de vida. O som escolhido foi do Smog. Engraçado, esse nome nos EUA é usado para classificar um tipo de poluição: smoke + fog = smog - o que aumenta a minha saudade de São Paulo. Smog também é um nome pelo qual o grande cantor Bill Callahan é conhecido. Por Cristo, ele me entrega de bandeja toda a conformidade necessária. Essa voz sombria e grave misturada com arranjos mais sombrios ainda me fazem repousar no sofá, ao lado da case de CDs, com uma garrafa de Passport junto ao meu pé. Dou um gole generoso na bebida e observo aqueles mosquitos de fruta planarem sobre o bico da garrafa. Logo pego meu isqueiro e acendo-o, tendando espantá-los. Em vão. Foda-se. Minha testa começa a umedecer graças ao maldito suor, graças ao maldito calor dos trópicos. Dou mais um gole e "Dress Sexy at my Funeral" começa a circular pela sala. Sempre achei os arranjos dessa música muito bons, mas a letra é demais. Quem falaria isso para a sua mulher?
Dress sexy at my funeral, my good wife
For the first time in your life
Meus pés não param de balançar, graças à ansiedade que permeia minha cabeça. Ontem eu fui surfar (ou tentar surfar), no começo da tarde. Pode parecer incrível no começo, a sensação de liberdade, pensar quem em Sampa o pânico da vida proletária se instaura o dia todo, enquanto eu estou na praia Vermelha, pensando e analisando qual a melhor onda pra pegar. Mas é nisso, no mundo paralelo que gira em São Paulo, é ali que mora o maldito dilema. Essa não é minha vida. Estou roubando miseravelmente a vida, o sonho, as pretensões de muita gente que merecia estar em meu lugar. Estou aqui por acaso. Pra muitos é sorte. Pra mim é azar. Eu não consigo relaxar. Fico calculando, maquinando o modo que verei a Mih, quantos dias faltam, quantos já passaram. Ela mora no meu coração e pensamento. Não há diversão, não há vantagem alguma em ficar longe dela. Não dá certo. Adoro ficar só por algumas horas ou dias, mas adoro a idéia de vê-la pelo resto da vida ao meu lado. Mas não é tão simples assim.
Tomo mais um gole e Smog permanece mexendo nas feridas. Filho de uma puta.
Aos poucos estou ficando bêbado e a sensação é boa. Não me digam que a bebida é a fulga do fraco. Foda-se, estou fraco e não adianta cobrar força. A única força que encontro é quando ouço aquela voz doce e feliz da Mih. Acendo mais um cigarro e mais um gole de whisky desliza por minha garganta. O vizinho carioco passa de bicicleta e nem cumprimenta. Melhor assim. Flamenguista é tudo a mesma merda. A chuva por aqui parou, foi pro mar. Sim, o mar, o cara mais genioso e controverso que existe na Terra. 'Mar na Terra' que contradição. Acho legal passar pela zona pesqueira e ver aqueles homens sofridos, marujos, transportando sua pesca para peixarias. Até pensei em descolar um trabalho nessas peixarias. Aliás, seria legal ficar a noite inteira num barco pesqueiro, sem ouvir nada, só o mar, o genioso:
- Opa! Um peixe!
Aí eu ficaria lá lutando contra aquele maldito ser delicioso. Puxaria a linha, após um grande embate e veria o Robalo, bonitão. dez quilos. Um pescador disse que pegaram um robalo de vinte e seis quilos há dois dias atrás:
- Uns caras pegaram um Robalão de vinte e seis quilos ali no encontro do mar!
- Caralho! Mas vem cá, não é estória de pescador?
- É nada, rapaz! Já venderam ele!
- Imagino que foi bem caro...
- Foi sim, uns duzentos e cinqüenta conto!
- Porra, acho que vou pescar.
- Não é pra qualquer um!
- É, pode crer.
O filho da puta estragou meu sonho de pescar um peixão. Eu sou mais um, tudo bem. É assim em São Paulo também. Ninguém tem rosto, rola, boceta ou alma. Somos um número. Eu sou um número de onze dígitos do meu CPF. Mas sinto saudades da burocracia e frieza do sistema.
Aqui todo mundo se cumprimenta (menos o carioca flamenguista). Destesto isso. Você passa dez vezes pelo mesmo cara e ele te diz 'bom dia', 'boa tarde' e 'boa noite'. Santo Cristo da Silva, um 'bom dia' já basta! Mas não para eles, isso é insuficiente para satifazê-los. Tive o infortúnio de conhecer um traficante de drogas e armas aqui em Ubatuba. E todo dia ele aparece na rua, no Centro, na praia, nas praças, até no bar onde bebo. Maldita fatalidade de cidade pequena. Em Sampa conheço milhares de pessoas e nunca as encontro perambulando pelas ruas. É um milagre achar um conhecido nas ruas de São Paulo. Prefiro assim. Aqui, os mais velhos são corteses. Eu estava bebendo no bar e avistei um caiçara com seus quarenta e cinco anos. Pochete cruzada no peito, bigode farto e músculos, muitos músculos espalhados caprichosamente por todo o corpo. Pensei que se eu arrumasse briga com ele, deveria chutá-lo no peito, uma solada impulssionada com todo o meu peso, e fugir, correr como nunca. Mas de repente o meu suposto adversário me cumprimenta como se eu o conhecesse há anos. Quebrou minhas pernas. Eu com pensamentos ímpios e perversos e ele com sua simpatia natural de quem vive despreocupadamente na praia.
Quando fui a Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Rio de Janeiro entre outras cidades grandes, me gabava por morar na locomotiva do Brasil. Eles ficavam putos, se defendendo, citando as vantagens de viver como um europeu em Porto Alegre ou por ter o mar para relaxar no Rio de Janeiro. Geralemnte eu mandava todo mundo se foder:
- Sem São Paulo vocês não seriam nada! Fodam-se!
- Mas nós temos praia, brother! - replicava o carioca
- Quem máné brother! São Paulo é a cidade que leva vocês nas costas!
Sempre a superioridade paulistana. São Paulo, a cidade que não para. Sendo sincero, muita da nossa força vem de braços nordestinos, mas quando o assunto é 'crescer', fale com um paulistano. Deviam fazer um adesivo com os dizeres: "Não há prosperidade sem um paulistano", igual àquele da OAB que diz: "Não se faz justiça sem advogados". Da hora. Mas aqui em Ubatuba eles estão pouco se fodendo com sua superioridade. Eles não precisam de prédio, não precisam de carros (todo mundo anda de bicicleta). Nem adiantaria eu me gabar. Aqui eu sou gente, tenho rosto, rola e o CPF não significa muita coisa. Detesto isso. Às vezes abro minha carteira e fico olhando pro CPF, pro RG, pra carteira de habilitação. Eu existo no sistema. Isso é bom! Eu sou um número de onze dígitos andando por uma utopia de felicidade! Caralho, o whisky subiu.
E as bicicletas? Aqui é unanimidade. Todo mundo, ricos ou pobres, tem a sua. Garotas com coxas rígidas e torneadas desfilam pelas ciclovias. Aqui as garotas levam tudo em suas bicicletas. Compras, filhos, cachorro e até o marido (juro que vi isso). Em Ubatuba luxo é ter um teto pra morar, uma prancha, uma amor e uma bicicleta. O resto é pedir demais. O Smog está finalizando a seleção de canções e o whisky está acabando. O céu está abrindo e escurecendo. Minha mãe já chegou e me ofereceu suco de limão duas vezes. Recusei duas vezes. Suco, suco, saúde. E eu aqui bebendo whisky. Sem gelo, puro. Sei que suco de limão com whisky vira Sour Whiskey, mas tô na manha do cowboy, bebendo no gargalo sem gelo, à seco. Foda-se.
Deixo minha vista passear e avisto montanhas, montanhas e mais montanhas. Grilos emitem seu som peculiar e as ruas já têm sua iluminação. Faz tempo que não ouço uma sirene. E tudo o que vejo são castanheiras, bananeiras e todas as outras 'eiras' da natureza. O calor permanece, teimoso, malandro, enchendo meu saco. Acho que são sete horas da noite. Estou seriamente bêbado e acho que vou pro meu terceiro banho.
Erich, Diego, vocês deveriam estar aqui.
Mih, te amo.
Caralho, meu cinzeiro está uma catástrofe. Preciso esvaziá-lo.
Foda-se o banho. A cerca do infeliz do vizinho está estourada e ele nem mora aqui, só na temporada. Hoje à tarde teve arco-íris. Sou paulistano, tudo é monocromático pra mim. De repente vejo um arco exibindo sete cores. Preciso de um oftamologista.
Conheci um surfista de alma pura, cada ato, cada palavra de uma pureza semelhante a de um monge budista. O cara tem trinta e sete anos com cara de vinte e cinco. Planta bananeira no asfalto por dez minutos. Surfa todos os diase como ele diz, tem sempre pensamentos positivos. Embora eu veja uma felicidade escancarada em sua face, nada de "good vibrations" me interessa, só a música dos Beach Boys. Não desprezo pessoas assim, eu as admiro. Como conseguem ver as prezepadas de Deus sob olhar otimista. Pessoas são assassinadas aos milhares e as pessoas ainda dizem que 'Deus é amor'. Precisam daquela cirurgia de catarata. Cegueira demais! E eu olhando o mundo com as lentes da realidade, mesmo que o arco-íris seja preto e branco, me sinto feliz. Mas me entrego à teoria de que a maresia contém substâncias tóxicas. Todo mundo é feliz e cego. Hoje li que o cloreto de sódio (vulgo sal) em excesso, pode ocasionar a cegueira. Acho que o sal marinho vem assolando o litoral. Santo Deus, cocaína, anthrax e agora outro pó: o sal.
Finalizei a garrafa! Fui atender o telefone na sala e ao subir as escadas de madeira pra voltar aos escritos, tropecei trágicamente, de forma mágica, me agarrei ao corrimão e gritei:
- Ê, bêbado!
Ainda há uns dois dedos e meio da bebida que despejei no copo, os últimos goles da fulga. Meus dedos doem em meio a pequenos calos que surgem. Faz tempo que não escrevo com caneta e papel. Só computador. Estou ébrio e as letras não passam de garranchos. Preciso de um equilíbrio perfeito - leia-se Carlton.
O dinheiro aos poucos se esgota, mas dia catorze eu saco a primeira parcela do meu seguro-desemprego. Viva o Brasil! Pagando minhas bebedeiras. Deus salve meu país tropical e claro, o número do meu PIS. Essa grana garante que sem cigarro e whisky eu não fico. Garante também alguns caprichos, como passar na zona pesqueira e comprar um bom peixe. Porra, aqui a sardinha sai a dois reais o quilo. E aqui tem livraria Nobel. Preciso de um novo livro. Estou terminado o "Espere a Primavera, Bandini" de John Fante e me desespero sob a perspectiva de não ter livros pra ler. Estou esperando o lançamento de "Pulp" do Bukowski (a L&PM prometeu o lançamento pro fim deste ano). Diabos, não há mais espaço para gimbas de cigarro no cinzeiro. O cinzeiro parece o ônibus de Sampa às seis da manhã.
Ônibus, aqui são poucos. Acho que o prefeito vê as bicicletas, enxames de bicicletas (qual é o coletivos de bicicletas?) e fica tranqüilo: o povo faz seu transporte coletivo. Pegar ônibus aqui é roubada. É preferível andar a pé que esperer um ônibus num ponto. Os ônibus são amarelos e bonitos. Mas isso não seduz a massa caiçara. Você pega a condução e em cinco minutos está em seu destino. Andar é realmente o bom negócio. Você pode andar pela praia deixando o mar refrescar seus pés. Aí você gira e só vê mar, montanhas cobertas pela remanescente Mata Atlântica. E gente de bicicleta. Aqui você anda oito quilômetros a pé tranqüilamente: o terreno é plano.
De repente você se depara com as ruas de Itaguá, praia badalada infestada de restaurantes chiques. E quando você caminha por lá, caminha numa via crucis, rumo ao calvário da fome. Os restaurantes anunciam na cara dura os pratos sugeridos: Peixe à putanesca, Lagosta à carnavalesca, marisco a cachacesca e todas as 'escas' da gastronomia mediterrânea. O cheiro te eleva à milésima potência da fome numa equação torturante. E eu, malandro que sou, saio sempre com dois e cinqüenta, o suficiente pra beber uma cerveja e rebater o calor. Permaneço com fome. Mas tudo bem, a padaria tem uma ótima coxinha e descobri na zona pesqueira, um barzinho refinado, que vende a fatia do cuzcuz marroquino por três e cinqüenta. Vale cada centavo.
A vida continua, estou me intrometendo no sonho de muitas pessoas, vivendo a felicidade que pra mim é melancolia. São Paulo, continue na luta, crescendo. Em breve estou de volta.
Dress sexy at my funeral, my good wife
For the first time in your life
Meus pés não param de balançar, graças à ansiedade que permeia minha cabeça. Ontem eu fui surfar (ou tentar surfar), no começo da tarde. Pode parecer incrível no começo, a sensação de liberdade, pensar quem em Sampa o pânico da vida proletária se instaura o dia todo, enquanto eu estou na praia Vermelha, pensando e analisando qual a melhor onda pra pegar. Mas é nisso, no mundo paralelo que gira em São Paulo, é ali que mora o maldito dilema. Essa não é minha vida. Estou roubando miseravelmente a vida, o sonho, as pretensões de muita gente que merecia estar em meu lugar. Estou aqui por acaso. Pra muitos é sorte. Pra mim é azar. Eu não consigo relaxar. Fico calculando, maquinando o modo que verei a Mih, quantos dias faltam, quantos já passaram. Ela mora no meu coração e pensamento. Não há diversão, não há vantagem alguma em ficar longe dela. Não dá certo. Adoro ficar só por algumas horas ou dias, mas adoro a idéia de vê-la pelo resto da vida ao meu lado. Mas não é tão simples assim.
Tomo mais um gole e Smog permanece mexendo nas feridas. Filho de uma puta.
Aos poucos estou ficando bêbado e a sensação é boa. Não me digam que a bebida é a fulga do fraco. Foda-se, estou fraco e não adianta cobrar força. A única força que encontro é quando ouço aquela voz doce e feliz da Mih. Acendo mais um cigarro e mais um gole de whisky desliza por minha garganta. O vizinho carioco passa de bicicleta e nem cumprimenta. Melhor assim. Flamenguista é tudo a mesma merda. A chuva por aqui parou, foi pro mar. Sim, o mar, o cara mais genioso e controverso que existe na Terra. 'Mar na Terra' que contradição. Acho legal passar pela zona pesqueira e ver aqueles homens sofridos, marujos, transportando sua pesca para peixarias. Até pensei em descolar um trabalho nessas peixarias. Aliás, seria legal ficar a noite inteira num barco pesqueiro, sem ouvir nada, só o mar, o genioso:
- Opa! Um peixe!
Aí eu ficaria lá lutando contra aquele maldito ser delicioso. Puxaria a linha, após um grande embate e veria o Robalo, bonitão. dez quilos. Um pescador disse que pegaram um robalo de vinte e seis quilos há dois dias atrás:
- Uns caras pegaram um Robalão de vinte e seis quilos ali no encontro do mar!
- Caralho! Mas vem cá, não é estória de pescador?
- É nada, rapaz! Já venderam ele!
- Imagino que foi bem caro...
- Foi sim, uns duzentos e cinqüenta conto!
- Porra, acho que vou pescar.
- Não é pra qualquer um!
- É, pode crer.
O filho da puta estragou meu sonho de pescar um peixão. Eu sou mais um, tudo bem. É assim em São Paulo também. Ninguém tem rosto, rola, boceta ou alma. Somos um número. Eu sou um número de onze dígitos do meu CPF. Mas sinto saudades da burocracia e frieza do sistema.
Aqui todo mundo se cumprimenta (menos o carioca flamenguista). Destesto isso. Você passa dez vezes pelo mesmo cara e ele te diz 'bom dia', 'boa tarde' e 'boa noite'. Santo Cristo da Silva, um 'bom dia' já basta! Mas não para eles, isso é insuficiente para satifazê-los. Tive o infortúnio de conhecer um traficante de drogas e armas aqui em Ubatuba. E todo dia ele aparece na rua, no Centro, na praia, nas praças, até no bar onde bebo. Maldita fatalidade de cidade pequena. Em Sampa conheço milhares de pessoas e nunca as encontro perambulando pelas ruas. É um milagre achar um conhecido nas ruas de São Paulo. Prefiro assim. Aqui, os mais velhos são corteses. Eu estava bebendo no bar e avistei um caiçara com seus quarenta e cinco anos. Pochete cruzada no peito, bigode farto e músculos, muitos músculos espalhados caprichosamente por todo o corpo. Pensei que se eu arrumasse briga com ele, deveria chutá-lo no peito, uma solada impulssionada com todo o meu peso, e fugir, correr como nunca. Mas de repente o meu suposto adversário me cumprimenta como se eu o conhecesse há anos. Quebrou minhas pernas. Eu com pensamentos ímpios e perversos e ele com sua simpatia natural de quem vive despreocupadamente na praia.
Quando fui a Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Rio de Janeiro entre outras cidades grandes, me gabava por morar na locomotiva do Brasil. Eles ficavam putos, se defendendo, citando as vantagens de viver como um europeu em Porto Alegre ou por ter o mar para relaxar no Rio de Janeiro. Geralemnte eu mandava todo mundo se foder:
- Sem São Paulo vocês não seriam nada! Fodam-se!
- Mas nós temos praia, brother! - replicava o carioca
- Quem máné brother! São Paulo é a cidade que leva vocês nas costas!
Sempre a superioridade paulistana. São Paulo, a cidade que não para. Sendo sincero, muita da nossa força vem de braços nordestinos, mas quando o assunto é 'crescer', fale com um paulistano. Deviam fazer um adesivo com os dizeres: "Não há prosperidade sem um paulistano", igual àquele da OAB que diz: "Não se faz justiça sem advogados". Da hora. Mas aqui em Ubatuba eles estão pouco se fodendo com sua superioridade. Eles não precisam de prédio, não precisam de carros (todo mundo anda de bicicleta). Nem adiantaria eu me gabar. Aqui eu sou gente, tenho rosto, rola e o CPF não significa muita coisa. Detesto isso. Às vezes abro minha carteira e fico olhando pro CPF, pro RG, pra carteira de habilitação. Eu existo no sistema. Isso é bom! Eu sou um número de onze dígitos andando por uma utopia de felicidade! Caralho, o whisky subiu.
E as bicicletas? Aqui é unanimidade. Todo mundo, ricos ou pobres, tem a sua. Garotas com coxas rígidas e torneadas desfilam pelas ciclovias. Aqui as garotas levam tudo em suas bicicletas. Compras, filhos, cachorro e até o marido (juro que vi isso). Em Ubatuba luxo é ter um teto pra morar, uma prancha, uma amor e uma bicicleta. O resto é pedir demais. O Smog está finalizando a seleção de canções e o whisky está acabando. O céu está abrindo e escurecendo. Minha mãe já chegou e me ofereceu suco de limão duas vezes. Recusei duas vezes. Suco, suco, saúde. E eu aqui bebendo whisky. Sem gelo, puro. Sei que suco de limão com whisky vira Sour Whiskey, mas tô na manha do cowboy, bebendo no gargalo sem gelo, à seco. Foda-se.
Deixo minha vista passear e avisto montanhas, montanhas e mais montanhas. Grilos emitem seu som peculiar e as ruas já têm sua iluminação. Faz tempo que não ouço uma sirene. E tudo o que vejo são castanheiras, bananeiras e todas as outras 'eiras' da natureza. O calor permanece, teimoso, malandro, enchendo meu saco. Acho que são sete horas da noite. Estou seriamente bêbado e acho que vou pro meu terceiro banho.
Erich, Diego, vocês deveriam estar aqui.
Mih, te amo.
Caralho, meu cinzeiro está uma catástrofe. Preciso esvaziá-lo.
Foda-se o banho. A cerca do infeliz do vizinho está estourada e ele nem mora aqui, só na temporada. Hoje à tarde teve arco-íris. Sou paulistano, tudo é monocromático pra mim. De repente vejo um arco exibindo sete cores. Preciso de um oftamologista.
Conheci um surfista de alma pura, cada ato, cada palavra de uma pureza semelhante a de um monge budista. O cara tem trinta e sete anos com cara de vinte e cinco. Planta bananeira no asfalto por dez minutos. Surfa todos os diase como ele diz, tem sempre pensamentos positivos. Embora eu veja uma felicidade escancarada em sua face, nada de "good vibrations" me interessa, só a música dos Beach Boys. Não desprezo pessoas assim, eu as admiro. Como conseguem ver as prezepadas de Deus sob olhar otimista. Pessoas são assassinadas aos milhares e as pessoas ainda dizem que 'Deus é amor'. Precisam daquela cirurgia de catarata. Cegueira demais! E eu olhando o mundo com as lentes da realidade, mesmo que o arco-íris seja preto e branco, me sinto feliz. Mas me entrego à teoria de que a maresia contém substâncias tóxicas. Todo mundo é feliz e cego. Hoje li que o cloreto de sódio (vulgo sal) em excesso, pode ocasionar a cegueira. Acho que o sal marinho vem assolando o litoral. Santo Deus, cocaína, anthrax e agora outro pó: o sal.
Finalizei a garrafa! Fui atender o telefone na sala e ao subir as escadas de madeira pra voltar aos escritos, tropecei trágicamente, de forma mágica, me agarrei ao corrimão e gritei:
- Ê, bêbado!
Ainda há uns dois dedos e meio da bebida que despejei no copo, os últimos goles da fulga. Meus dedos doem em meio a pequenos calos que surgem. Faz tempo que não escrevo com caneta e papel. Só computador. Estou ébrio e as letras não passam de garranchos. Preciso de um equilíbrio perfeito - leia-se Carlton.
O dinheiro aos poucos se esgota, mas dia catorze eu saco a primeira parcela do meu seguro-desemprego. Viva o Brasil! Pagando minhas bebedeiras. Deus salve meu país tropical e claro, o número do meu PIS. Essa grana garante que sem cigarro e whisky eu não fico. Garante também alguns caprichos, como passar na zona pesqueira e comprar um bom peixe. Porra, aqui a sardinha sai a dois reais o quilo. E aqui tem livraria Nobel. Preciso de um novo livro. Estou terminado o "Espere a Primavera, Bandini" de John Fante e me desespero sob a perspectiva de não ter livros pra ler. Estou esperando o lançamento de "Pulp" do Bukowski (a L&PM prometeu o lançamento pro fim deste ano). Diabos, não há mais espaço para gimbas de cigarro no cinzeiro. O cinzeiro parece o ônibus de Sampa às seis da manhã.
Ônibus, aqui são poucos. Acho que o prefeito vê as bicicletas, enxames de bicicletas (qual é o coletivos de bicicletas?) e fica tranqüilo: o povo faz seu transporte coletivo. Pegar ônibus aqui é roubada. É preferível andar a pé que esperer um ônibus num ponto. Os ônibus são amarelos e bonitos. Mas isso não seduz a massa caiçara. Você pega a condução e em cinco minutos está em seu destino. Andar é realmente o bom negócio. Você pode andar pela praia deixando o mar refrescar seus pés. Aí você gira e só vê mar, montanhas cobertas pela remanescente Mata Atlântica. E gente de bicicleta. Aqui você anda oito quilômetros a pé tranqüilamente: o terreno é plano.
De repente você se depara com as ruas de Itaguá, praia badalada infestada de restaurantes chiques. E quando você caminha por lá, caminha numa via crucis, rumo ao calvário da fome. Os restaurantes anunciam na cara dura os pratos sugeridos: Peixe à putanesca, Lagosta à carnavalesca, marisco a cachacesca e todas as 'escas' da gastronomia mediterrânea. O cheiro te eleva à milésima potência da fome numa equação torturante. E eu, malandro que sou, saio sempre com dois e cinqüenta, o suficiente pra beber uma cerveja e rebater o calor. Permaneço com fome. Mas tudo bem, a padaria tem uma ótima coxinha e descobri na zona pesqueira, um barzinho refinado, que vende a fatia do cuzcuz marroquino por três e cinqüenta. Vale cada centavo.
A vida continua, estou me intrometendo no sonho de muitas pessoas, vivendo a felicidade que pra mim é melancolia. São Paulo, continue na luta, crescendo. Em breve estou de volta.
quarta-feira, outubro 31, 2007
Primeiro dia: primeiras impressões sobre o marasmo
Pensei: cacete, será que o Diego vem ou não? E de repente o celular toca, acusando chamada vinda do celular do próprio Diego:
- Man! Tô em frente ao supermercado Dia.
- Peraê que eu já vou aí te pegar.
Ele estava sério com um cigarro na boca e portava um boné na cabeça, graças ao corte de cabelo que ele julga ser ridículo. Peguei a mochila dele enquanto ele ajustava a guitarra nas costas. Chegamos em casa e a espera foi longa. Isso ocorreu lá pelo meio-dia e só saímos às nove da noite. Nesse período de espera bebemos cerveja, que trincava e mesmo sendo Brahma, descia redondo. Assistimos boa parte do filme escrito pelo nosso ídolo Charles Bukowski: Barfly - Condenados pelo Vício. E enquanto morríamos de rir do filme, minha mãe chegou, nos apressando para a saída. Fomos até à casa de minha avó para fazer uma refeição rápida na base de macarrão à bolonhesa. O Marcelo, namorado de minha mãe nos esperava lá, se recuperando de uma crise de pressão alta. Por Cristo, fazia calor, muito calor, ao ponto de ser registrada a temperatura de 36 graus no largo do Cambuci. Saímos da casa de minha vó petiscando doces de beterraba (o Diego queria roubar mais um, mas minha avó é uma sentinela eficiente quando o negócio é vigiar comida em sua cozinha.
O Celta estava abarrotados, com dois baús, um baixo, uma guitarra, quatro malas e umas barras de metal. Nos acomodamos em nossos lugares e partimos. O céu estava carregado e o vento de forma estranha mudou sua intensidade e força, anunciando a vinda de uma forte chuva. Ao chegar na Dutra, meu joelho que estava muito dobrado devido ao modo como as coisas estavam compactadas, começou a doer muito. Não poderia resistir uma viagem de quatro horas daquele jeito. Paramos na beira da estrada e troquei de lugar com minha mãe, que se acomodou atrás enquanto eu me aliviava com a liberdade que meu joelho gozava. A viagem foi em seu começo, sem nenhuma trilha sonora, e a estrada era escura e tortuosa me levando a pegar a case de discos e puxar aquele disco tão lindo, gravado pela Mih, e escrito pela Mih, com desenho da Mih. Era uma coletânea de sucessos dos Los Hermanos, banda que mais me faz lembrar da minha pequena. Nesse instante, minha mãe dirigia o carro e assim o faria até chegarmos ao nosso destino. O Marcelo, lá de trás perguntou:
- Felipe, você não vai dormir, né?
- Enquanto esse disco rodar, não tem como. Fica tranqüilo - respondi consciente que não havia como dormir diante de tantas lembranças da minha pequena.
O disco rodava canções que me faziam vislumbrar aquele sorriso dela, aquela risada maluca dela, o abraço dela. Céus! Como eu poderia ficar longe dela por um mês e alguns dias? Meu dilema se intensificava, porém eu me tranqüilizava ao pensar que logo, logo ela estaria lá comigo, me fazendo rir, me fazendo companhia.
Me auto-responsabilizei em manter minha mãe acordada, não queria que a merda se instalasse e o carro rodasse graças a um sono repentino. Eu a mantinha acordada, comentando sobre a música, sobre o português bem empregados nas canções, sobre as letras disconexas, sobre o tempo que a banda deu e os trabalhos paralelos dos integrantes, como a Orquestra Imperial que entrete a Mih enquanto os Los Hermanos não voltam à ativa. Fizemos uma parada onde comprei dois maços de Lucky Strike. O Diego e eu sentamos e fumamos um pouco enquanto o Marcelo e minha mãe comiam e bebiam algo no bar. Fomos ao banheiro mijar e logo estávamos no carro, indo em direção e em alta velocidade para o destino.
A viagem permaneceu naquela linha: eu utilizava de meus conhecimentos musicais para entreter minha mãe, até que coloquei uma coletânea dos Rolling Stones. O disco comeou com "You Can't Always Get What You Want" e o Diego lá atrás, apreciava o som, mesmo tendo confessado em tempo atrás que não curtia muito a banda. Mas ao poucos ele foi se encantado com músicas que não tocam por aí, como "I Can't Get (No Satisfaction)" ou "Start me Up". Minha mãe ficou entretida com histórias que eu contava, como quando a música "Angie" tocou e ela ficou sabendo do caso entre Mick Jagger e David Bowie e que essa referida música era um pedido de desculpas de Jagger à Angela (Angie) Bowie, esposa do David. Cacete, vai entender esses caras.
Atravessamos a medíocre Taubaté em dez minutos. A cidade é tão sofrida que o slogan de turismo da prefeitura é: "A nossa maior atração é você". Pudera, cidade sem graça, sem nada pra fazer, soturna e pálida, transferiu ao visitante a responsabilidade de ser a atração do lugar. Puta merda, que lugar mais sofrido.
Paramos no Canto do Curió (não sei o nome ao certo), onde há um restaurante coberto de escaravelhos. Um era tão grande que encheria uma caixa de cigarro facilmente. Eles voavam por todos os lados.
- Cacete Diego! Olha isso! - disse eu me afastando com um salto.
- Ahhhhh! Afff, mano, credo, detesto insetos! - confessou Diego em meio ao nojo do bicho gigante
Enchemos a garrafa com água límpida e pura da bica do Curió e fumamos uns cigarros. Voltamos ao carro agora em definitivo. Os Stones continuavam, e a conversa continuava a todo o vapor. Chegamos à serra, que descia por sete quilometros e Diego que dormia, acordou:
- Aê! Acordei na melhor parte.
Pelos deuses, minha mãe estava sentando o pé no acelerador, fazendo curvas aberta, freando bruscamento, enchendo nossas barrigas de frio. Eu que não gosto de dar pitacos sobre o modo das pessoas dirigir, fui obrigado a pedir que maneirasse na velocidade. Ela humildemente dizia:
- Tô correndo?
Imagina, se aquilo não fosse alta velocidade e direção de risco, eu sinceramente não sei o que era então. Mas ela dirige bem, e logo pegou a manha das curvas e chegamos sãos e salvos na terra plana, no litoral. Finalmente chegamos à Ubatuba, a capital do surfe. Fomos vagarosamente passando pelas ruas lotadas de lombadas enquanto o Marcelo nos mostrava as alegrias e vantagens de viver na cidade. Ubatuba realmente tem um ar acolhedor e úmido.
Chegamos ao condomínio de casas de aparência igual, porém diferentemente adornadas. Descarregamos o carro e o cansaço havia se apoderado de nossos corpos, porém não havia como dormir, pois havia uma empolgação no Diego que o mantinha acordado e eu no embalado, meio empolgado, meio angustiado com a ausência da Mih, fiquei acordado. Começamos a destrinchar as lembranças do trabalho. Mulheres que aguentariam uma orgia. Fizemos a lista (que não era escassa) e rimos muito, deitados em nossos colchões, em meio àquele calor que apenas o quarto apresentava. Sugeri que pegássemos o whisky pocket que eu tinha na mochila e o bebessemos puro. Ficamos na sacada, curtindo a brisa do mar, o ar úmido e nossos Lucky Strikes, que dançavam perfeitamente com o sabor do whisky. Logo a bebida subiu e o sono se apoderou de nós. Nossas vozes assumiam tons sombrios devido ao raciocínio lento e o cansaço. Até que o Diego soltou o primeiro ronco. Fim do primeiro dia.
- Man! Tô em frente ao supermercado Dia.
- Peraê que eu já vou aí te pegar.
Ele estava sério com um cigarro na boca e portava um boné na cabeça, graças ao corte de cabelo que ele julga ser ridículo. Peguei a mochila dele enquanto ele ajustava a guitarra nas costas. Chegamos em casa e a espera foi longa. Isso ocorreu lá pelo meio-dia e só saímos às nove da noite. Nesse período de espera bebemos cerveja, que trincava e mesmo sendo Brahma, descia redondo. Assistimos boa parte do filme escrito pelo nosso ídolo Charles Bukowski: Barfly - Condenados pelo Vício. E enquanto morríamos de rir do filme, minha mãe chegou, nos apressando para a saída. Fomos até à casa de minha avó para fazer uma refeição rápida na base de macarrão à bolonhesa. O Marcelo, namorado de minha mãe nos esperava lá, se recuperando de uma crise de pressão alta. Por Cristo, fazia calor, muito calor, ao ponto de ser registrada a temperatura de 36 graus no largo do Cambuci. Saímos da casa de minha vó petiscando doces de beterraba (o Diego queria roubar mais um, mas minha avó é uma sentinela eficiente quando o negócio é vigiar comida em sua cozinha.
O Celta estava abarrotados, com dois baús, um baixo, uma guitarra, quatro malas e umas barras de metal. Nos acomodamos em nossos lugares e partimos. O céu estava carregado e o vento de forma estranha mudou sua intensidade e força, anunciando a vinda de uma forte chuva. Ao chegar na Dutra, meu joelho que estava muito dobrado devido ao modo como as coisas estavam compactadas, começou a doer muito. Não poderia resistir uma viagem de quatro horas daquele jeito. Paramos na beira da estrada e troquei de lugar com minha mãe, que se acomodou atrás enquanto eu me aliviava com a liberdade que meu joelho gozava. A viagem foi em seu começo, sem nenhuma trilha sonora, e a estrada era escura e tortuosa me levando a pegar a case de discos e puxar aquele disco tão lindo, gravado pela Mih, e escrito pela Mih, com desenho da Mih. Era uma coletânea de sucessos dos Los Hermanos, banda que mais me faz lembrar da minha pequena. Nesse instante, minha mãe dirigia o carro e assim o faria até chegarmos ao nosso destino. O Marcelo, lá de trás perguntou:
- Felipe, você não vai dormir, né?
- Enquanto esse disco rodar, não tem como. Fica tranqüilo - respondi consciente que não havia como dormir diante de tantas lembranças da minha pequena.
O disco rodava canções que me faziam vislumbrar aquele sorriso dela, aquela risada maluca dela, o abraço dela. Céus! Como eu poderia ficar longe dela por um mês e alguns dias? Meu dilema se intensificava, porém eu me tranqüilizava ao pensar que logo, logo ela estaria lá comigo, me fazendo rir, me fazendo companhia.
Me auto-responsabilizei em manter minha mãe acordada, não queria que a merda se instalasse e o carro rodasse graças a um sono repentino. Eu a mantinha acordada, comentando sobre a música, sobre o português bem empregados nas canções, sobre as letras disconexas, sobre o tempo que a banda deu e os trabalhos paralelos dos integrantes, como a Orquestra Imperial que entrete a Mih enquanto os Los Hermanos não voltam à ativa. Fizemos uma parada onde comprei dois maços de Lucky Strike. O Diego e eu sentamos e fumamos um pouco enquanto o Marcelo e minha mãe comiam e bebiam algo no bar. Fomos ao banheiro mijar e logo estávamos no carro, indo em direção e em alta velocidade para o destino.
A viagem permaneceu naquela linha: eu utilizava de meus conhecimentos musicais para entreter minha mãe, até que coloquei uma coletânea dos Rolling Stones. O disco comeou com "You Can't Always Get What You Want" e o Diego lá atrás, apreciava o som, mesmo tendo confessado em tempo atrás que não curtia muito a banda. Mas ao poucos ele foi se encantado com músicas que não tocam por aí, como "I Can't Get (No Satisfaction)" ou "Start me Up". Minha mãe ficou entretida com histórias que eu contava, como quando a música "Angie" tocou e ela ficou sabendo do caso entre Mick Jagger e David Bowie e que essa referida música era um pedido de desculpas de Jagger à Angela (Angie) Bowie, esposa do David. Cacete, vai entender esses caras.
Atravessamos a medíocre Taubaté em dez minutos. A cidade é tão sofrida que o slogan de turismo da prefeitura é: "A nossa maior atração é você". Pudera, cidade sem graça, sem nada pra fazer, soturna e pálida, transferiu ao visitante a responsabilidade de ser a atração do lugar. Puta merda, que lugar mais sofrido.
Paramos no Canto do Curió (não sei o nome ao certo), onde há um restaurante coberto de escaravelhos. Um era tão grande que encheria uma caixa de cigarro facilmente. Eles voavam por todos os lados.
- Cacete Diego! Olha isso! - disse eu me afastando com um salto.
- Ahhhhh! Afff, mano, credo, detesto insetos! - confessou Diego em meio ao nojo do bicho gigante
Enchemos a garrafa com água límpida e pura da bica do Curió e fumamos uns cigarros. Voltamos ao carro agora em definitivo. Os Stones continuavam, e a conversa continuava a todo o vapor. Chegamos à serra, que descia por sete quilometros e Diego que dormia, acordou:
- Aê! Acordei na melhor parte.
Pelos deuses, minha mãe estava sentando o pé no acelerador, fazendo curvas aberta, freando bruscamento, enchendo nossas barrigas de frio. Eu que não gosto de dar pitacos sobre o modo das pessoas dirigir, fui obrigado a pedir que maneirasse na velocidade. Ela humildemente dizia:
- Tô correndo?
Imagina, se aquilo não fosse alta velocidade e direção de risco, eu sinceramente não sei o que era então. Mas ela dirige bem, e logo pegou a manha das curvas e chegamos sãos e salvos na terra plana, no litoral. Finalmente chegamos à Ubatuba, a capital do surfe. Fomos vagarosamente passando pelas ruas lotadas de lombadas enquanto o Marcelo nos mostrava as alegrias e vantagens de viver na cidade. Ubatuba realmente tem um ar acolhedor e úmido.
Chegamos ao condomínio de casas de aparência igual, porém diferentemente adornadas. Descarregamos o carro e o cansaço havia se apoderado de nossos corpos, porém não havia como dormir, pois havia uma empolgação no Diego que o mantinha acordado e eu no embalado, meio empolgado, meio angustiado com a ausência da Mih, fiquei acordado. Começamos a destrinchar as lembranças do trabalho. Mulheres que aguentariam uma orgia. Fizemos a lista (que não era escassa) e rimos muito, deitados em nossos colchões, em meio àquele calor que apenas o quarto apresentava. Sugeri que pegássemos o whisky pocket que eu tinha na mochila e o bebessemos puro. Ficamos na sacada, curtindo a brisa do mar, o ar úmido e nossos Lucky Strikes, que dançavam perfeitamente com o sabor do whisky. Logo a bebida subiu e o sono se apoderou de nós. Nossas vozes assumiam tons sombrios devido ao raciocínio lento e o cansaço. Até que o Diego soltou o primeiro ronco. Fim do primeiro dia.
sexta-feira, agosto 17, 2007
Freedie Freeloader
Freddie Freeloader...
É ouvindo notas complexas que me impressiono com a complexidade da cidade
É no alto da cidade, sim, nas alturas que vejo a cidade que emana música
Eu vejo notas de um sax rebelde, improvisado
Eu vejo notas de uma guitarra distorcida, sofrida
Eu dou nota dez para o fogo que queima o fumo de meu cigarro
Eu dou nota zero para o fogo que sai do sol e queima nossa cabeça
É à noite que eu vejo claramente
É à noite que minha alma tem repouso
É à noite que os deuses dormem e param de brincar conosco
No pico mais alto da cidade
O mendigo adormece em suas desilusões
No concreto duro da realidade lastimável cotidiana
O estuprador foge com a braguilha aberta
Em meio aos gritos de sua presa
O motorista estaciona o ônibus na garagem
E pensa no ônibus que ele vai pegar pra voltar pra casa
E os deuses dormem
A fome adormece na barriga de um garoto
Afinal, a mãe disse que dormir mata a fome
O ódio tira um cochilo na mente do homem sanguinário
Mas a vingança permanece a rodeá-lo
A desconfiança dá uma trégua em meio aos sonhos
Os sonhos da mulher, mulher sozinha na cama
O deuses balbuciam alguma coisa em suas camas e voltam a dormir
O neon daquele motel está com uma falha
Não pára de piscar
Como também pisca a sirene da ambulância
Um velho desfalece em meio a um derrame
Como também pisca a sirene da polícia
Uma faca foi cravada três vezes no peito de um cara
Como também pisca a sirene dos bombeiros
Aquela mulher sozinha na cama, adormeceu com o cigarro aceso
Fogo... eu já disse que dou nota dez pra ele
E um dos deuses dá um ronco pausado e peida e depois volta a dormir
A fumaça da maconha passeia pelas via respiratórias do garoto
A tosse vem
A cocaína desfila brilhante pelas ruas do nariz da vadia barata
E o braço dela adormece
O LSD repousa nas macias línguas de amigos numa roda de risada
E mais risadas vêm
O despertador dos deuses toca
É um rádio relógio
E a música que acorda um dos deuses é Freddie Freeloader
Um dos deuses pensa em como Miles Davis é genial
E logo lembra que Miles Davis toca todas as quartas no centro da cidade dos deuses
Freddie Freeloader... legal...
É ouvindo notas complexas que me impressiono com a complexidade da cidade
É no alto da cidade, sim, nas alturas que vejo a cidade que emana música
Eu vejo notas de um sax rebelde, improvisado
Eu vejo notas de uma guitarra distorcida, sofrida
Eu dou nota dez para o fogo que queima o fumo de meu cigarro
Eu dou nota zero para o fogo que sai do sol e queima nossa cabeça
É à noite que eu vejo claramente
É à noite que minha alma tem repouso
É à noite que os deuses dormem e param de brincar conosco
No pico mais alto da cidade
O mendigo adormece em suas desilusões
No concreto duro da realidade lastimável cotidiana
O estuprador foge com a braguilha aberta
Em meio aos gritos de sua presa
O motorista estaciona o ônibus na garagem
E pensa no ônibus que ele vai pegar pra voltar pra casa
E os deuses dormem
A fome adormece na barriga de um garoto
Afinal, a mãe disse que dormir mata a fome
O ódio tira um cochilo na mente do homem sanguinário
Mas a vingança permanece a rodeá-lo
A desconfiança dá uma trégua em meio aos sonhos
Os sonhos da mulher, mulher sozinha na cama
O deuses balbuciam alguma coisa em suas camas e voltam a dormir
O neon daquele motel está com uma falha
Não pára de piscar
Como também pisca a sirene da ambulância
Um velho desfalece em meio a um derrame
Como também pisca a sirene da polícia
Uma faca foi cravada três vezes no peito de um cara
Como também pisca a sirene dos bombeiros
Aquela mulher sozinha na cama, adormeceu com o cigarro aceso
Fogo... eu já disse que dou nota dez pra ele
E um dos deuses dá um ronco pausado e peida e depois volta a dormir
A fumaça da maconha passeia pelas via respiratórias do garoto
A tosse vem
A cocaína desfila brilhante pelas ruas do nariz da vadia barata
E o braço dela adormece
O LSD repousa nas macias línguas de amigos numa roda de risada
E mais risadas vêm
O despertador dos deuses toca
É um rádio relógio
E a música que acorda um dos deuses é Freddie Freeloader
Um dos deuses pensa em como Miles Davis é genial
E logo lembra que Miles Davis toca todas as quartas no centro da cidade dos deuses
Freddie Freeloader... legal...
terça-feira, agosto 07, 2007
Cheiradinha no rabo
Em parte detesto levar minha cadela pra passear. Não pela preguiça, nem pelo horário deveras tarde... não, não. Não é nada disso. É até divertido dizer "vâmo passeá?" pra ela e vê-la pular, girar e correr atrás da coleira. É recompensador saber que um ser te aguarda em casa pra levá-lo para passear. É embaraçoso saber que numa casa de 5 pessoas, a única pessoa que tem o hábito de sair pra passear com a Meg (cadela), sou eu. Mas vamo que vamo: por que eu detesto, em parte, levar a Meg pra passear? Bem, todo mundo sabe do costume dos cachorros, sim, aquilo de ficar cheirando o cu, os bagos, a buceta um do outro... porra, até aí tudo bem, os animais têm essa putaria inocente embutida em seu sangue, deixa quieto. Mas quando se aproxima outro animal acompanhado por um humano, putz, aí a coisa complica. Se o cumprimento é rápido (o que não deixa de ser um ato cordial e educado), tudo bem. Mas quando o humano quer te "cheirar o rabo" com aquele papo furado de donos de cachorros, porra, minha alma enegrece. Principalmente quando aquelas VELHAS esquecidas pelo diabo (que ainda não as carregou) cruzam meu caminho, geralmente com aqueles poodles sofridos, aí sim, o passeio se torna um martírio, uma sofrível via crucis, bem na minha vizinhança.
- É macho? - pergunta a velha com cara de cu fodido
- Não, é fêmea - respondo eu, ao invés de ficar quieto
- Ah, que bom! O meu é macho, dá pra se cheirarem
PORRA! E por que é 'bom'? Por que dizer 'que bom'? Ela ganha algo com isso? Logo em seguida vem aquele papo:
- Quantos anos ela tem?
- 6.
- Ah, já tá velhinha...
- Nem tanto... (e olhos pras rugas dela pensando se ela vê todo mundo como uma corja de velhos)
-A minha tem 12 anos. (percebo ao ver o espírito sofrido e vivido daquele pobre canino peludo)
Esse mesmo canino peludo vai pra cima da Meg querendo cheirar suas partes íntimas. Mas a Meg tem um sério problema com machos (se bem que um dia o poodle [finado] do meu tio tentou traçá-la no meio de uma festa de família, sim, os dois escondidos... ainda bem que flagrei o ordinário tentando deflorar minha donzelinha peluda e dei tanta bronca, que minha cadela não sabia onde por a cara). Ela simplesmente não admite machos cheirando seus fundilhos. Ela rosna ou morde a cara, sem piedade. E eu sempre assisto a selvageria da minha 'filha' com orgulho da garota. Mas voltando à velha, porra, eu fico indignado, pois enquanto o cachorro velho tenta cheirar minha cadela, a velha tenta cheirar meu saco, meu cu, com aquela conversa idiota e cotidiana que mais parece uma hemorróida ensangüentada no cu de um mexicano. Eu não gosto de falar sobre minha cadela, não gosto de abrir sua intimidade com pessoas da rua, muito menos para uma velha que perdeu o gosto da vida e reduziu o seu mundo a um quarteirão, onde ela passeia com o puto do cachorro 90 vezes ao dia, tentando conversar com alguém, tentando dar uma giratória na cara da solidão. Pobre velha. Foda-se, velha.
O bacanal comunicativo termina com a Meg mordendo a cara do poodle. Abaixo minha cabeça lentamente (afinal, eu já esperava isso) e vejo aquele 'cachorro-naftalina' gritando e se afastando da minha brava e lésbisca cadela. A velha sai a passos lentos na direção que eu ía seguir. Acendo o cigarro, agacho e agradeço a Meg pela braveza, ponho o jazz pra rolar no iPod e pego o caminho inverso dela, nem que seja o caminho mais longo.
- É macho? - pergunta a velha com cara de cu fodido
- Não, é fêmea - respondo eu, ao invés de ficar quieto
- Ah, que bom! O meu é macho, dá pra se cheirarem
PORRA! E por que é 'bom'? Por que dizer 'que bom'? Ela ganha algo com isso? Logo em seguida vem aquele papo:
- Quantos anos ela tem?
- 6.
- Ah, já tá velhinha...
- Nem tanto... (e olhos pras rugas dela pensando se ela vê todo mundo como uma corja de velhos)
-A minha tem 12 anos. (percebo ao ver o espírito sofrido e vivido daquele pobre canino peludo)
Esse mesmo canino peludo vai pra cima da Meg querendo cheirar suas partes íntimas. Mas a Meg tem um sério problema com machos (se bem que um dia o poodle [finado] do meu tio tentou traçá-la no meio de uma festa de família, sim, os dois escondidos... ainda bem que flagrei o ordinário tentando deflorar minha donzelinha peluda e dei tanta bronca, que minha cadela não sabia onde por a cara). Ela simplesmente não admite machos cheirando seus fundilhos. Ela rosna ou morde a cara, sem piedade. E eu sempre assisto a selvageria da minha 'filha' com orgulho da garota. Mas voltando à velha, porra, eu fico indignado, pois enquanto o cachorro velho tenta cheirar minha cadela, a velha tenta cheirar meu saco, meu cu, com aquela conversa idiota e cotidiana que mais parece uma hemorróida ensangüentada no cu de um mexicano. Eu não gosto de falar sobre minha cadela, não gosto de abrir sua intimidade com pessoas da rua, muito menos para uma velha que perdeu o gosto da vida e reduziu o seu mundo a um quarteirão, onde ela passeia com o puto do cachorro 90 vezes ao dia, tentando conversar com alguém, tentando dar uma giratória na cara da solidão. Pobre velha. Foda-se, velha.
O bacanal comunicativo termina com a Meg mordendo a cara do poodle. Abaixo minha cabeça lentamente (afinal, eu já esperava isso) e vejo aquele 'cachorro-naftalina' gritando e se afastando da minha brava e lésbisca cadela. A velha sai a passos lentos na direção que eu ía seguir. Acendo o cigarro, agacho e agradeço a Meg pela braveza, ponho o jazz pra rolar no iPod e pego o caminho inverso dela, nem que seja o caminho mais longo.
sexta-feira, março 16, 2007
Eu não sou normal
É incrível, mas diversas sensações que outros humanos têm, eu não tenho. Não passam nem perto de mim. Às vezes me considero frio demais, calculista demais ou apenas largado demais. às vezes é preguiça de se revoltar, preguiça de levantar a bunda da cadeira e ir ao médico ver que dores são essas que surgiram do nada.
A inveja, por exemplo, não me faz nem cócegas de tão obsoleta que ela é. Sempre tem um cara com inveja e eu, sinceramente, não entendo o por quê de alguém me invejar. Mas, tendo motivos ou não, a inveja não me incomoda. O ser humano precisa de alguém o invejando. A auto-estima precisa da inveja dos outros, a inveja é o bem do século. Olho gordo? Só se for em desenho japonês, porque eu realmente não consigo associar a perda do meu emprego, por exemplo, ao olho gordo de um filho da puta que me inveja. Man, se você perdeu o emprego, é porque você é um puta de um incopetente, um cabaço incapaz de exercer as funções desse emprego. Aí vem alguém e diz: 'vamo tomar banho de aguá de não-sei-o-que, se benzer com folha disso-ou-daquilo'. E quando você se vê, tá pelado no chão com uma mãe-de-santo te jogando sal grosso. Porra, mal-olhado, cobiça, inveja, olho gordo... são nada mais, nada menos que sentimentos normais e naturais do ser humano. Deixa de ser idiota.
Outra coisa que não faz a mínima diferença pra mim, é o tempo que está passando rápido demais. Eu quero mais é que passe rápido demais, afinal, se demora é porque é uma bosta. Já ouviu aquela frase 'o que é bom dura pouco'? Então, é nessa linha mesmo. Se sua vida é tão lenta quanto uma tartaruga batendo punheta (deve ser lenta mesmo), então sua vida é uma bosta, uma mistura de sem-diversão com porra-alguma. Mas se seus dias estão rápidos como um guepardo no cio (isso deve ser rápido), então tá tudo um sucesso, tudo andando como diz o plano. Quando eu vejo meus amigos, os mais antigos, todos barbados, bebendo cerveja, fumando, com suas namoradas, esposas, e até filhos, não me preocupo. É tudo natural, é tudo programado. Um jogo sujo dos deuses, que vêem o nascimento do homem e vêem aos poucos a morte do homem, chegando lentamente (sim, como uma tartaruga na sua primeira punheta do dia). Tudo está escrito, minhas vidas e nem pense em fugir. Quem tenta fugir desse lento processo, acaba estirado no chão após se jogar domilésimo andar de um prédio, ou então, acaba pendurado, como carne no açougue, após se enforcar e ficar agonizando (burro) até sentir a mão da morte enfiando o dedinho no cuzinho.
Existem muitos outros sentimentos que não cheiram, não fedem. Acho que sou frio. Posso ser realista. Mas tô pouco me fodendo. Eu sou vivo, até quando, não sei.
A inveja, por exemplo, não me faz nem cócegas de tão obsoleta que ela é. Sempre tem um cara com inveja e eu, sinceramente, não entendo o por quê de alguém me invejar. Mas, tendo motivos ou não, a inveja não me incomoda. O ser humano precisa de alguém o invejando. A auto-estima precisa da inveja dos outros, a inveja é o bem do século. Olho gordo? Só se for em desenho japonês, porque eu realmente não consigo associar a perda do meu emprego, por exemplo, ao olho gordo de um filho da puta que me inveja. Man, se você perdeu o emprego, é porque você é um puta de um incopetente, um cabaço incapaz de exercer as funções desse emprego. Aí vem alguém e diz: 'vamo tomar banho de aguá de não-sei-o-que, se benzer com folha disso-ou-daquilo'. E quando você se vê, tá pelado no chão com uma mãe-de-santo te jogando sal grosso. Porra, mal-olhado, cobiça, inveja, olho gordo... são nada mais, nada menos que sentimentos normais e naturais do ser humano. Deixa de ser idiota.
Outra coisa que não faz a mínima diferença pra mim, é o tempo que está passando rápido demais. Eu quero mais é que passe rápido demais, afinal, se demora é porque é uma bosta. Já ouviu aquela frase 'o que é bom dura pouco'? Então, é nessa linha mesmo. Se sua vida é tão lenta quanto uma tartaruga batendo punheta (deve ser lenta mesmo), então sua vida é uma bosta, uma mistura de sem-diversão com porra-alguma. Mas se seus dias estão rápidos como um guepardo no cio (isso deve ser rápido), então tá tudo um sucesso, tudo andando como diz o plano. Quando eu vejo meus amigos, os mais antigos, todos barbados, bebendo cerveja, fumando, com suas namoradas, esposas, e até filhos, não me preocupo. É tudo natural, é tudo programado. Um jogo sujo dos deuses, que vêem o nascimento do homem e vêem aos poucos a morte do homem, chegando lentamente (sim, como uma tartaruga na sua primeira punheta do dia). Tudo está escrito, minhas vidas e nem pense em fugir. Quem tenta fugir desse lento processo, acaba estirado no chão após se jogar domilésimo andar de um prédio, ou então, acaba pendurado, como carne no açougue, após se enforcar e ficar agonizando (burro) até sentir a mão da morte enfiando o dedinho no cuzinho.
Existem muitos outros sentimentos que não cheiram, não fedem. Acho que sou frio. Posso ser realista. Mas tô pouco me fodendo. Eu sou vivo, até quando, não sei.
quarta-feira, julho 12, 2006
Bons vinhos e boas amizades
Tenho 22 anos de vida e pouco sei sobre a vida. Passei por poucas e boas nessa vida, processos, investigação policial, viagens contra meu gosto, ameaças de morte, desafios no quais não me saí bem, porém não sei muito ainda. Cara, você pode passar por tudo nessa vida, e você continua um mero aprendiz. Cansei de ver gente de 40, 50, 60, 70, 80 anos de idade me dizendo que sabiam tudo, que eu precisava viver mais pra tirar conclusões. Concordo, mas se você tiver 100 anos, você continua sem saber muita coisa sobre a vida. Em parte porque você fica velho gagá, e em parte porque você não viveu todas as experiências prováveis da vida.
O que nos aguarda, irmãos dos 20 e poucos anos? Nossa idade é crucial para nossa formação, nessa idade começamos à desenvolver nossos moldes. Moldes do caráter. A educação na infância é fundamental, porém não acredito que nosso caráter esteja completamente moldado aos 18 anos, como muita gente acredita. O caráter precisa de experiência, o mínimo de experiência pra você determinar suas crenças, seus gostos e o mais importante, sua postura diante da vida. Some experiências, com educação e você terá o seu caráter formado.
E hoje em dia, estamos cercados por um bando de idiotas que resumem experiências em chupar e foder bocetas pelas noites da vida. Aí entra a questão da aparência. A destruidora aparência. Neguinha na balada puxando a barriga pra não exibir a barriguinha saliente. Puta que pariu, gente que nem gosta de rock, nas baladas de rock, vestidas como roqueiras, só pra se sentir incluída na roda social. Pelos deuses, só existe uma roda social? Tá cheio de homem que é viadinho, mas se faz de macho pra se incluir numa roda de machões. No escuro da noite, ele enfia um vibrador no cu e fantasia com um monte de homens. Sai do armário, caralho! Tem um monte de bichinhas nesse mundo, por que você não entra na roda deles (nos dois sentidos)? E o mais engraçado são esses "emos". Pra eles, tá na moda homem andar de mãos dadas com outro homem. Pra menininhas "emas", tá na moda ser sapatão! Tudo pra se incluir no círculo social. E depois reclamam de perseguição. O foda não é ser viadinho ou sapatão, ou bissexual, o foda é ser isso simplesmente por aparência. Ainda bem que ser "emo" é participar de uma febre e como toda febre, com o tempo passa.
Estou incluído num círculo social cheio de grandes amigos e amigas. Estou no lugar certo, no lugar que me ajustei. O legal da vida é estar nesse círculo certo e ao mesmo tempo, não estar. É não se limitar à velhas amizades e conhecer gente nova. Viver intensidades da vida e lembrar delas com alegria e saudade.
Porra, os velhos amigos já não são como antes. Tudo muda nessa vida fodida... todos ao seu redor mudam, seja por emprego, por mulher... Confesso que não tenho a mesma loucura de antes, afinal, TODOS mudam, e eu não fujo à regra. Mas mudar essência? Nem fodendo, amigo. Mude os ambientes, mas não deixe de ser o que você é. A pior destruição do homem é ele se moldar com moldes estranhos, moldes dos outros, só pra se encaixar num quebra-cabeças que ele não entende a figura que esse mesmo quebra-cabeça forma no final. Bando de cabaços sem personalidade. Garotinhas: seus peitinhos levemente empinados e gostosos de chupar vão cair... essa bundinha durinha, envolvida por uma calcinha de algodão, que é ideal pra meter de quatro, sentindo a carne durinha, também vai cair. Essa sua bocetinha molhadinha e tesuda vai um dia secar e ficar frígida. Essa boquinha sensual que você usa pra abocanhar uma rola ou pra beijar um cara desconhecido e estiloso, vai enrugar e vai parecer com a sua boceta... sim, na sua velhice, se algum cara te comer, vai meter na sua boca, achando que está metendo na boceta... hahahaha... o tempo passa, minha vida. O tempo é cruel, não poupa você, não respeita suas vaidades e nem olha se sua cara tá parecendo um chão de galinheiro, cheio de pés-de-galinha. Garotinhos: essa sua pica grande e cheia de bocetas pra enfiar, um dia vai ficar tão murcha que se você se olhar na luz e contemplar sua sombra, vai pensar se tratar de um elefante triste. Seu corpinho bombado, vai murchar e você vai parecer um galo velho, que nem serve pra cozinhar. Sua cabeça, coberta com esse cabelo sedoso, brilhante, daqui algum tempo vai parecer uma bola de sinuca e aí você vai ver que a frase "é dos carecas que elas gostam mais" é pura mentira. Resumindo: o tempo não perdoa, bando de cuzões.
O quê nos espera? Uma longa vida eu não sei, mas enquanto ela durar, o segredo é manter as amizade, os bons e velhos amigos. Gosto de citar e Bukowski, afinal o cara é O mestre. Um dia desses, ele disse que pra saber quem são seus amigos de verdade, você tem que arrumar uma sentença de prisão. Aqueles que te visitarem, são seus amigos. Claro que não chegaremos ao extremo, mas pelos deuses, você já é adulto pra distinguir seus verdadeiros amigos. Cara, tudo passa, mas boas amizades são pra sempre, não são como nossos corpos, que à medida que envelhecem, começam a parecer uns merdas de cachorro numa calçada... Boas amizades são como um bom vinho, italiano de preferência. O tempo passa, o tempo voa, mas bons vinhos e boas amizades continuarão numa boa.
O que nos aguarda, irmãos dos 20 e poucos anos? Nossa idade é crucial para nossa formação, nessa idade começamos à desenvolver nossos moldes. Moldes do caráter. A educação na infância é fundamental, porém não acredito que nosso caráter esteja completamente moldado aos 18 anos, como muita gente acredita. O caráter precisa de experiência, o mínimo de experiência pra você determinar suas crenças, seus gostos e o mais importante, sua postura diante da vida. Some experiências, com educação e você terá o seu caráter formado.
E hoje em dia, estamos cercados por um bando de idiotas que resumem experiências em chupar e foder bocetas pelas noites da vida. Aí entra a questão da aparência. A destruidora aparência. Neguinha na balada puxando a barriga pra não exibir a barriguinha saliente. Puta que pariu, gente que nem gosta de rock, nas baladas de rock, vestidas como roqueiras, só pra se sentir incluída na roda social. Pelos deuses, só existe uma roda social? Tá cheio de homem que é viadinho, mas se faz de macho pra se incluir numa roda de machões. No escuro da noite, ele enfia um vibrador no cu e fantasia com um monte de homens. Sai do armário, caralho! Tem um monte de bichinhas nesse mundo, por que você não entra na roda deles (nos dois sentidos)? E o mais engraçado são esses "emos". Pra eles, tá na moda homem andar de mãos dadas com outro homem. Pra menininhas "emas", tá na moda ser sapatão! Tudo pra se incluir no círculo social. E depois reclamam de perseguição. O foda não é ser viadinho ou sapatão, ou bissexual, o foda é ser isso simplesmente por aparência. Ainda bem que ser "emo" é participar de uma febre e como toda febre, com o tempo passa.
Estou incluído num círculo social cheio de grandes amigos e amigas. Estou no lugar certo, no lugar que me ajustei. O legal da vida é estar nesse círculo certo e ao mesmo tempo, não estar. É não se limitar à velhas amizades e conhecer gente nova. Viver intensidades da vida e lembrar delas com alegria e saudade.
Porra, os velhos amigos já não são como antes. Tudo muda nessa vida fodida... todos ao seu redor mudam, seja por emprego, por mulher... Confesso que não tenho a mesma loucura de antes, afinal, TODOS mudam, e eu não fujo à regra. Mas mudar essência? Nem fodendo, amigo. Mude os ambientes, mas não deixe de ser o que você é. A pior destruição do homem é ele se moldar com moldes estranhos, moldes dos outros, só pra se encaixar num quebra-cabeças que ele não entende a figura que esse mesmo quebra-cabeça forma no final. Bando de cabaços sem personalidade. Garotinhas: seus peitinhos levemente empinados e gostosos de chupar vão cair... essa bundinha durinha, envolvida por uma calcinha de algodão, que é ideal pra meter de quatro, sentindo a carne durinha, também vai cair. Essa sua bocetinha molhadinha e tesuda vai um dia secar e ficar frígida. Essa boquinha sensual que você usa pra abocanhar uma rola ou pra beijar um cara desconhecido e estiloso, vai enrugar e vai parecer com a sua boceta... sim, na sua velhice, se algum cara te comer, vai meter na sua boca, achando que está metendo na boceta... hahahaha... o tempo passa, minha vida. O tempo é cruel, não poupa você, não respeita suas vaidades e nem olha se sua cara tá parecendo um chão de galinheiro, cheio de pés-de-galinha. Garotinhos: essa sua pica grande e cheia de bocetas pra enfiar, um dia vai ficar tão murcha que se você se olhar na luz e contemplar sua sombra, vai pensar se tratar de um elefante triste. Seu corpinho bombado, vai murchar e você vai parecer um galo velho, que nem serve pra cozinhar. Sua cabeça, coberta com esse cabelo sedoso, brilhante, daqui algum tempo vai parecer uma bola de sinuca e aí você vai ver que a frase "é dos carecas que elas gostam mais" é pura mentira. Resumindo: o tempo não perdoa, bando de cuzões.
O quê nos espera? Uma longa vida eu não sei, mas enquanto ela durar, o segredo é manter as amizade, os bons e velhos amigos. Gosto de citar e Bukowski, afinal o cara é O mestre. Um dia desses, ele disse que pra saber quem são seus amigos de verdade, você tem que arrumar uma sentença de prisão. Aqueles que te visitarem, são seus amigos. Claro que não chegaremos ao extremo, mas pelos deuses, você já é adulto pra distinguir seus verdadeiros amigos. Cara, tudo passa, mas boas amizades são pra sempre, não são como nossos corpos, que à medida que envelhecem, começam a parecer uns merdas de cachorro numa calçada... Boas amizades são como um bom vinho, italiano de preferência. O tempo passa, o tempo voa, mas bons vinhos e boas amizades continuarão numa boa.
sexta-feira, julho 07, 2006
A cidade que dorme
Estou eu aqui de madrugada, navegando pela internet. O corpo pede nicotina. Vou ao corredor do meu andar, abro a janela, vislumbro a cidade.
Acendo um cigarro.
Ah! O sagrado cigarro da madrugada. Ninguém inventou nada melhor até agora. Daqui do 22º andar a vista nãofica devendo em nada, ainda mais quando não existem prédios num raio de 200 metros. Logo após esses 200 metros, avisto a avenida Paulista e suas imponentes construções. O prédios estão encobertos por um ralo nevoeiro, porém o céu está limpo, e a Lua olha com malícia para seu namorado Terra.
Ouço alguns carros se aventurando pelas avenidas, em alta velocidade, não se preocupando com cruzamentos. Puta merda, isso me faz lembrar minha primeira batida.
Os periquitos de casa estão mais agitados que o comum, oras, eles têm uns três filhotes dentro da caixinha, e a puta da periquita-mãe não pára de pedir comida pro periquito-pai, que já deve estar de saco cheio da vida. Um dia desses, abri a caixinha deles e ví os periquitinhos-filhos. Pareciam uns franguinhos assados se retorcendo, vermelhos, cegos e com suas peninhas por nascer. Pelos deuses, o milagre da vida está acontecendo em casa!
A cidade adormecida, mostra sua fragilidade diante da escuridão de suas ruas e becos. Enquanto isso, eu fumo meu Lucky Strike e penso em como minha vida podia ser melhor, e logo me consolo pensando em como ela poderia ser pior. Por isso que pensar é besteira. Quanto mais você pensa, menos você se ajuda. Como dizia o mestre Bukowski, as pessoas que pensam menos, tendem à viver mais. Concordo.
Amanhã tenho entrevista de emprego. Minha cachorra Meg, se aproxima de mim na escuridão do corredor, cheira meu tornozelo e se deita ao meu lado. Essa filhinha duma puta está mestruada e com certeza sujou o chão do corredor. Que se foda, pagamos condomínio pra que esse sangue seja lavado.
Acho que hoje vou dormir no sofá da sala. A tv me faz dormir, vou pegar um edredon, meu travesseiro e ficar por ali mesmo.
A noite na cidade revela o que o dia escondeu, meus chapas. E uma névoa rala se instala em meio as prédios.
Acendo um cigarro.
Ah! O sagrado cigarro da madrugada. Ninguém inventou nada melhor até agora. Daqui do 22º andar a vista nãofica devendo em nada, ainda mais quando não existem prédios num raio de 200 metros. Logo após esses 200 metros, avisto a avenida Paulista e suas imponentes construções. O prédios estão encobertos por um ralo nevoeiro, porém o céu está limpo, e a Lua olha com malícia para seu namorado Terra.
Ouço alguns carros se aventurando pelas avenidas, em alta velocidade, não se preocupando com cruzamentos. Puta merda, isso me faz lembrar minha primeira batida.
Os periquitos de casa estão mais agitados que o comum, oras, eles têm uns três filhotes dentro da caixinha, e a puta da periquita-mãe não pára de pedir comida pro periquito-pai, que já deve estar de saco cheio da vida. Um dia desses, abri a caixinha deles e ví os periquitinhos-filhos. Pareciam uns franguinhos assados se retorcendo, vermelhos, cegos e com suas peninhas por nascer. Pelos deuses, o milagre da vida está acontecendo em casa!
A cidade adormecida, mostra sua fragilidade diante da escuridão de suas ruas e becos. Enquanto isso, eu fumo meu Lucky Strike e penso em como minha vida podia ser melhor, e logo me consolo pensando em como ela poderia ser pior. Por isso que pensar é besteira. Quanto mais você pensa, menos você se ajuda. Como dizia o mestre Bukowski, as pessoas que pensam menos, tendem à viver mais. Concordo.
Amanhã tenho entrevista de emprego. Minha cachorra Meg, se aproxima de mim na escuridão do corredor, cheira meu tornozelo e se deita ao meu lado. Essa filhinha duma puta está mestruada e com certeza sujou o chão do corredor. Que se foda, pagamos condomínio pra que esse sangue seja lavado.
Acho que hoje vou dormir no sofá da sala. A tv me faz dormir, vou pegar um edredon, meu travesseiro e ficar por ali mesmo.
A noite na cidade revela o que o dia escondeu, meus chapas. E uma névoa rala se instala em meio as prédios.
quarta-feira, julho 05, 2006
Cabaço é assim mesmo
Era 2002, lá pelo mês de março, eu tinha 17 anos e nada sabia sobre as ruas. Eu estava namorando uma garota de 16 anos desde 1999 e minha vida, naquele momento, se resumia à ela. Nunca havia tomado um porre sequer, nem me metido em briga nenhuma, nem palavrões eu falava muito. Eu era o verdadeiro cabaço. Minhas amizades estavam reduziadas ao pó, e a possibilidade de criar novas amizades eram quase nulas, afinal, durante a semana, tinha que acordar às 5 da manhã e trabalhar até às 17:00hs, na periferia da zona Oeste de Sampa, por uns míseros 450 reais. Depois do trabalho, me restava chegar atrasado na escola (devido ao trânsito) e voltar para casa lá pelas 23:30hs. Nos fins de semana, puta que pariu, era só ela e a família dela. Era óbvio que uma hora ou outra, algum sentimento de liberdade iria tentar aflorar, ou explodir dentro de mim.
Aflorou.
Era um dia da semana, sei lá qual era, mas as aulas estavam um saco, professores de saco cheio, afinal, haviam lecionado um monte de moleques na manhã, na tarde e ainda tinham que lecionar à um bando de trabalhadores e repetentes na noite. Ninguém era culpado nisso, confesso. Mas começamos a "cabular" aulas com frequência, ficávamos pelo pátio da escola, conversando sobre trabalho, mulheres e coisas da vida. Alguém se levantou da roda (estavamos sentados no chão) e propôs:
- Caralho, por que a gente não sai pra beber?
- É uma boa... - alguém respondeu
- E grana? O que a gente vai beber?
- Ah, lá no bar a gente vê, é só pegar uns drinks e zoar um pouco.
Nos levantamos e partimos em direção ao portão da escola. Saímos, e caminhamos da escola por uns metros até chegarmos na rua Afonso Celso. Sentamos no degrau de uma escada de um prédio antigo e vislumbrávamos o movimento dos carros. Patricinhas e playboyzinhos em seus carrinhos de 20 e tantos mil reais corriam pra lá e pra cá e nós, trabalhadores e estudantes nas horas vagas estávamos ali, contando moedas. Ao contabilizarmos tudo que tínhamos, Almir, um estudante que era pedreiro, saí perambulando e atravessando a rua em direção à um barzinho, um boteco. Chegou com um bombeirinho... groselha com conhaque. Começamos à beber, mas como eu era um cabaço, comecei à ficar tonto. Já me soltei, e estava tão solto que meus braços começaram à voar em direção dos ombros e cinturas das garotas. Tatiana, uma garota ruiva, troncuda e bunduda era apaixonada por mim (e foi apaixonada até a última vez que nos vimos, em 2003). Ela começava a me abraçar e eu a abraçava também. Puta merda, haviam alguns momentos de rápida sobriedade quando eu me afastava dela. Mas voltava a tontura, a alegria e lá estava eu, abraçado com as garotas. Olhei para o relógio e já era meia-noite. Minha "cabacice" me mandou despedir todos ali e voltar para casa... seriam bons e longos três quilômetros de tontura e baboseiras saindo da boca. O Miguel, meu melhor amigo na época se propôs à ir comigo, afinal, sua casa ficava antes da minha, um quarteirão antes. Começamos à andar, falar de mulheres, mulheres e mulheres.
- Minha é prima é muito gostosa... é mais nova, mas puta que pariu, tem uns peitinhos - disse Miguel
- Que bom, e onde ela mora? - perguntei
- No Paraná.
- Puta que la merda, Miguel, a mina mora no Paraná? Fala de algo mais próximo!
- Ah, sabe a fulana (esqueci o nome dela, era da nossa classe)?
- Sei.
- Comi ela, cara. Ela ficou de calcinha, de quatro, e eu só pus a calcinha de lado e mandei bala.
- Caramba, e ela?
- Gostou, mas foi rápido, sei lá...
- Sei.
A conversa continuava:
- Mano, um dia estava comendo uma ficante. - começou Miguel
- E aí? - perguntei
- Estava no "bem bom", metendo com força, ela gritando alucinada e de repente ela grita "vai meu touro, mete com força". - Miguel parecia um italiano ao me contar essa história, gesticulava, falava alto
- Hahaha e daí?
- Mano, a mina me chamou de touro e quis que ficasse tudo tranquilo? O caralho! Tirei meu pau da buceta dela e mandei: "Como assim, touro? Você tá me chifrando, caralho?!"
- Hahahaha, mano, você não fez isso.
- Fiz, porra. Nem fodendo que a mina vai me chamar de touro!
- Vai se foder, a mina tá lá, quase gozando... às vezes ela fala essas coisas, tipo, meu macho, meu tigrão...
- Sei lá, cara, a verdade é que mulher nenhuma me chama de touro!
- Que se foda.
A conversa continuou nessa linha. O Miguel sempre contando suas histórias e eu, cabaço, sem nada de interessante pra contar, afinal, minha primeira namorada era a mesma daquela hora, nunca havia comido outra boceta. Eu só ouvia, ria, concordava e discordava.
Estávamos chegando na metade do caminho, já era bem tarde, e estávamos em frente à Igreja Margarida Maria, ao lado do cemitério da Vila Mariana. No instante que caminhávamos, perto de um estacionamento, um cara sombrio nos seus 21 anos chegou perto de nós:
- Aê, alguém tem fogo aê? - perguntou o elemento
- Fogo não, mas se quiser álcool, eu tô cuspindo álcool - respondi "cabaçamente" achando que tinha bebido pra caralho
- Vocês estão indo pra onde? - perguntou o elemento
- Pra casa - repsondeu Miguel
- Onde vocês moram?
- Aqui na região - me adiantei pra responder
- Só... - balbuciou o elemento
Puta merda, o cara tava louco de maconha, devia ter fumado muito, os olhos vermelhos, magro, de boné e voz lenta, torturante. Fomos caminhando por mais alguns metros e o Miguel me olhava de lado, me passando a mensagem "esse cara é nóia, é suspeito". Eu captava a mensagem, mas o filho da puta conversava, conversava, falava que nos conhecia, que estudava num colégio de supletivo noturno lá na Ana Rosa. Quando um ônibus passava, ele falava "olha quanta buceta nesse busão". Ele falava as coisas, nós respondíamos e ele falava: "do que vocês estão falando". Puta que pariu, o cara tava loucão. Chegamos na Coronel Diogo, uma rua que cruza a Lins de Vasconcelos. O Miguel encontrou um amigo na padaria de esquina e conseguiu uma carona pra casa.
- Felipe, vou ficando por aqui, ele vai me dar uma carona - disse Miguel
- Beleza, até mais então, mano - repondi me despedindo
Mas o filho da puta do elemento sombrio e noiado não me largava. Havia mais um quarteirão pra andar e o cara continuou me perseguindo.
- Aê mano, vamo colar aqui mesmo, ficar zoando um pouco... - propôs o elemento
- Não cara, tenho que trabalhar amanhã... acordar 5 da manhã é chato. A gente se fala depois, você não cola o tempo todo lá na escola? - tentei despedí-lo bem no momento em que três caras, amigos dele chegaram.
- Então, esse é fulano, esse é beltrano e esse é ciclano - o elemento apresentou mais três elementos tão sombrios quanto ele
- Opa, e aí? Beleza? - cumprimentei-os
Os caras me cumprimentaram e ficaram parados enquanto eu andava, tentando atravessar a avenida. Tentei pela última vez me livrar do cara:
- A gente se vê amanhã à noite, la na escola.
- Que escola, mano? - me perguntou, denunciando sua confusão mental
- A minha, mano, falei dela pra você o tempo todo, como você me pergunta "qual escola"? - me irritei
- Mano, você é estranho - o louco me disse
E quando parei pra raciocinar sobre a última frase dele, ele me virou uma "cadernada" na cara. Eu que estava meio tonto pelas bebidas, fiquei mais ainda. Lembro de ter erguido minha vista e ver os outros três amigos dele correndo em minha direção. Puta que la merda, eu tava fodido. Era melhor correr pra casa. Minhas pernas bambas me assustavam, corri como um louco, peguei outro caminho mais longo, para se caso eles me perseguissem mesmo, não saberia o caminho do meu prédio. Lembro de ter olhado pra trás e ter visto os quatro parados e o elemento principal, loucão, gritando alguma coisa. Cheguei com respiração ofegante no meu prédio, parei nas escadas e lembro ter feito alguma oração. No desespero, meu filho, não existem ateus. Me recompus, entrei em casa e todos perguntavam preocupados, onde eu estava. A minha namorada havia ligado várias vezes. Liguei pra ela, dei uma desculpa idiota, troquei de roupa e fui dormir às 2:30hs, pra acordar às 5:00hs.
Que cabaço.
Aflorou.
Era um dia da semana, sei lá qual era, mas as aulas estavam um saco, professores de saco cheio, afinal, haviam lecionado um monte de moleques na manhã, na tarde e ainda tinham que lecionar à um bando de trabalhadores e repetentes na noite. Ninguém era culpado nisso, confesso. Mas começamos a "cabular" aulas com frequência, ficávamos pelo pátio da escola, conversando sobre trabalho, mulheres e coisas da vida. Alguém se levantou da roda (estavamos sentados no chão) e propôs:
- Caralho, por que a gente não sai pra beber?
- É uma boa... - alguém respondeu
- E grana? O que a gente vai beber?
- Ah, lá no bar a gente vê, é só pegar uns drinks e zoar um pouco.
Nos levantamos e partimos em direção ao portão da escola. Saímos, e caminhamos da escola por uns metros até chegarmos na rua Afonso Celso. Sentamos no degrau de uma escada de um prédio antigo e vislumbrávamos o movimento dos carros. Patricinhas e playboyzinhos em seus carrinhos de 20 e tantos mil reais corriam pra lá e pra cá e nós, trabalhadores e estudantes nas horas vagas estávamos ali, contando moedas. Ao contabilizarmos tudo que tínhamos, Almir, um estudante que era pedreiro, saí perambulando e atravessando a rua em direção à um barzinho, um boteco. Chegou com um bombeirinho... groselha com conhaque. Começamos à beber, mas como eu era um cabaço, comecei à ficar tonto. Já me soltei, e estava tão solto que meus braços começaram à voar em direção dos ombros e cinturas das garotas. Tatiana, uma garota ruiva, troncuda e bunduda era apaixonada por mim (e foi apaixonada até a última vez que nos vimos, em 2003). Ela começava a me abraçar e eu a abraçava também. Puta merda, haviam alguns momentos de rápida sobriedade quando eu me afastava dela. Mas voltava a tontura, a alegria e lá estava eu, abraçado com as garotas. Olhei para o relógio e já era meia-noite. Minha "cabacice" me mandou despedir todos ali e voltar para casa... seriam bons e longos três quilômetros de tontura e baboseiras saindo da boca. O Miguel, meu melhor amigo na época se propôs à ir comigo, afinal, sua casa ficava antes da minha, um quarteirão antes. Começamos à andar, falar de mulheres, mulheres e mulheres.
- Minha é prima é muito gostosa... é mais nova, mas puta que pariu, tem uns peitinhos - disse Miguel
- Que bom, e onde ela mora? - perguntei
- No Paraná.
- Puta que la merda, Miguel, a mina mora no Paraná? Fala de algo mais próximo!
- Ah, sabe a fulana (esqueci o nome dela, era da nossa classe)?
- Sei.
- Comi ela, cara. Ela ficou de calcinha, de quatro, e eu só pus a calcinha de lado e mandei bala.
- Caramba, e ela?
- Gostou, mas foi rápido, sei lá...
- Sei.
A conversa continuava:
- Mano, um dia estava comendo uma ficante. - começou Miguel
- E aí? - perguntei
- Estava no "bem bom", metendo com força, ela gritando alucinada e de repente ela grita "vai meu touro, mete com força". - Miguel parecia um italiano ao me contar essa história, gesticulava, falava alto
- Hahaha e daí?
- Mano, a mina me chamou de touro e quis que ficasse tudo tranquilo? O caralho! Tirei meu pau da buceta dela e mandei: "Como assim, touro? Você tá me chifrando, caralho?!"
- Hahahaha, mano, você não fez isso.
- Fiz, porra. Nem fodendo que a mina vai me chamar de touro!
- Vai se foder, a mina tá lá, quase gozando... às vezes ela fala essas coisas, tipo, meu macho, meu tigrão...
- Sei lá, cara, a verdade é que mulher nenhuma me chama de touro!
- Que se foda.
A conversa continuou nessa linha. O Miguel sempre contando suas histórias e eu, cabaço, sem nada de interessante pra contar, afinal, minha primeira namorada era a mesma daquela hora, nunca havia comido outra boceta. Eu só ouvia, ria, concordava e discordava.
Estávamos chegando na metade do caminho, já era bem tarde, e estávamos em frente à Igreja Margarida Maria, ao lado do cemitério da Vila Mariana. No instante que caminhávamos, perto de um estacionamento, um cara sombrio nos seus 21 anos chegou perto de nós:
- Aê, alguém tem fogo aê? - perguntou o elemento
- Fogo não, mas se quiser álcool, eu tô cuspindo álcool - respondi "cabaçamente" achando que tinha bebido pra caralho
- Vocês estão indo pra onde? - perguntou o elemento
- Pra casa - repsondeu Miguel
- Onde vocês moram?
- Aqui na região - me adiantei pra responder
- Só... - balbuciou o elemento
Puta merda, o cara tava louco de maconha, devia ter fumado muito, os olhos vermelhos, magro, de boné e voz lenta, torturante. Fomos caminhando por mais alguns metros e o Miguel me olhava de lado, me passando a mensagem "esse cara é nóia, é suspeito". Eu captava a mensagem, mas o filho da puta conversava, conversava, falava que nos conhecia, que estudava num colégio de supletivo noturno lá na Ana Rosa. Quando um ônibus passava, ele falava "olha quanta buceta nesse busão". Ele falava as coisas, nós respondíamos e ele falava: "do que vocês estão falando". Puta que pariu, o cara tava loucão. Chegamos na Coronel Diogo, uma rua que cruza a Lins de Vasconcelos. O Miguel encontrou um amigo na padaria de esquina e conseguiu uma carona pra casa.
- Felipe, vou ficando por aqui, ele vai me dar uma carona - disse Miguel
- Beleza, até mais então, mano - repondi me despedindo
Mas o filho da puta do elemento sombrio e noiado não me largava. Havia mais um quarteirão pra andar e o cara continuou me perseguindo.
- Aê mano, vamo colar aqui mesmo, ficar zoando um pouco... - propôs o elemento
- Não cara, tenho que trabalhar amanhã... acordar 5 da manhã é chato. A gente se fala depois, você não cola o tempo todo lá na escola? - tentei despedí-lo bem no momento em que três caras, amigos dele chegaram.
- Então, esse é fulano, esse é beltrano e esse é ciclano - o elemento apresentou mais três elementos tão sombrios quanto ele
- Opa, e aí? Beleza? - cumprimentei-os
Os caras me cumprimentaram e ficaram parados enquanto eu andava, tentando atravessar a avenida. Tentei pela última vez me livrar do cara:
- A gente se vê amanhã à noite, la na escola.
- Que escola, mano? - me perguntou, denunciando sua confusão mental
- A minha, mano, falei dela pra você o tempo todo, como você me pergunta "qual escola"? - me irritei
- Mano, você é estranho - o louco me disse
E quando parei pra raciocinar sobre a última frase dele, ele me virou uma "cadernada" na cara. Eu que estava meio tonto pelas bebidas, fiquei mais ainda. Lembro de ter erguido minha vista e ver os outros três amigos dele correndo em minha direção. Puta que la merda, eu tava fodido. Era melhor correr pra casa. Minhas pernas bambas me assustavam, corri como um louco, peguei outro caminho mais longo, para se caso eles me perseguissem mesmo, não saberia o caminho do meu prédio. Lembro de ter olhado pra trás e ter visto os quatro parados e o elemento principal, loucão, gritando alguma coisa. Cheguei com respiração ofegante no meu prédio, parei nas escadas e lembro ter feito alguma oração. No desespero, meu filho, não existem ateus. Me recompus, entrei em casa e todos perguntavam preocupados, onde eu estava. A minha namorada havia ligado várias vezes. Liguei pra ela, dei uma desculpa idiota, troquei de roupa e fui dormir às 2:30hs, pra acordar às 5:00hs.
Que cabaço.
terça-feira, janeiro 24, 2006
Bukowski e Hemingway...
Sexta feira... estávamos na pilha pra chegar botando fogo na DJ Club. Abro meu messenger e o Benício estava lá.
- Bukowsky, vamos numa festa na casa da Cynara? Jay, vai rolar breja, umas minas... vâmo?
Putz, até hoje eu não entendo o motivo do Benício me chamar. Ele sabe que é só dizer o local e a hora que eu tô lá. Mas beleza, deve ser algo mais formal da parte dele. Foda-se a formalidade. Marcamos na estação do metrô da Consolação. O Bena queria descer a Augusta e passar pela Oscar Freire (rua burguesa de merda). Passamos e ficamos olhando aquela mulherada gostosa, com sacolas e mais sacolas nas mãos. Só grife famosa. Aquela mulherada, cheia da grana pra gastar... Nessas horas eu penso em como seria feliz tendo uma senhora pra cuidar de mim. Mas beleza, por enquanto ficamos na putaria, fazer o quê? Atravessamos a Rebouças e entramos na Teodoro Sampaio. O Fernando estava à caminho, iria nos encontrar lá.
Conversa vem, conversa vai e lá estávamos, o Hemingway e eu em frente à casa da Cynara. Tocamos a campainha e a Cynara surge com um sorriso imenso, de orelha à orelha. Bem, ela tem um semblante simpático, como dizem as porras dos hippies, auto-astral. Cabelinho curto, piercing no nariz (acho que era no nariz) e sim, um sorriso maravilhoso!! Adorei conhecê-la (ahã, eu não a conhecia!). O Bena me apresentou como Felipe e ela me deu um abraço forte, daqueles bem apertados. Senti um clima legal no ar. Chegamos lá, umas seis pessoas disputavam o pequeno espaço do sofá para assistir Trainspotting. Aquele filme é demais. Você pode assitir quatrocentas e quatorze vezes (?) que você não enjoa. Sempre encontra um detalhe inédito. Chegamos no fim do filme, tudo bem. Nos apresentamos pro pessoal, todo mundo com uma cervejinha na mão, um drink de vodka rodando nas mãos de todos... escurinho. Fiquei deitado no chão com uma puta almofada. Acendi um cigarro e fiquei na minha, em silêncio. O Bena ficava causando, falando várias coisas pra elas. Comecei a notar uma coisa: a Cynara e a Dani (uma amiga gostosa dela, muito gente fina, diga-se por passagem) têm namorados. E eles dois tem uma coisa em comum: bissexuais! E mais levados pro lado bicha, mesmo! Putz... olhei pras duas e pensei:
- Puta desperdício do caralho!
Um deles bolou um baseadinho e passou pra gente. Demos uns pegas (o Bena não) só pra relaxar. Tava tudo tranquilo, na boa. O Bena e eu saímos pra comprar mais cerveja, afinal, só faltava mais uma caixa pra acabar o estoque e claro, o desespero bate! Uma moreninha gostosinha foi abrir o portão pra gente, e nós a convidamos pra ir conosco. Ela topou e começou a conversar com o Bena. O estilo de xaveco do Bena nunca é o mesmo, talvez seja esse o motivo pelo qual as garotas não fogem, não conseguem arranjar uma desculpa pra se livrar de suas garras. Porém a Rafaela se estragou na maconha e na vodka. Ela começou a fraquejar, dentro do supermercado. De repente se apoiou em mim, e eu fui guiando a garota até a volta. Tivemos que subir algumas escadas, e ela não aguentou. Tive que sentá-la numa calçada e esperar a brisa dela passar. O Fernando ligou dizendo que já estava na região mas não sabia onde ficava a casa. O Bena passou o endereço e mandou ele se virar. Enquanto isso, eu acariciava a Rafaela, pra ver se ela se aclamava, afinal, ela tava puta da vida:
- Porra! Detesto fumar maconha! Olha como eu fico!! - gritou revoltada
- Relaxa, minha vida, essa brisa passa. Fica de boa. - respondi com calma, colocando a cabeça dela no meu ombro
- Vocês não querem ficar aí enquanto eu vou buscar o Fernando? - perguntou o Bena, preocupado com o senso de localização do Fernando
- Não jay, peraê que ela levanta aqui, só um minutinho... Com dificuldades levantei a Rafa e continuei guiando a moça.
Olha a merda em que fomos parar... hahahaha... Eu também estava na brisa, mas aquela brisa legal, relaxante.Enfim chegamos à casa da Cy, e já dava pra ver o Fernando se misturando com o pessoal lá dentro da casa.
- Fala Fê! Que bom te ver!! - falei dando um abraço nele
- E aê jão! Até que enfim chegaram!
- Putz, a mina ali ficou chapadona de erva e tivemos que trazê-la nos braços!
- O que? Erva? Onde? Porra, nem me esperaram! - mandou sem dó
- Calma, jay, o pessoal tem mais! Tá tirando? hahahaha - falei com incerteza, afinal, nem sabia quem tinha a erva
Colocamos as brejas no congelador e saímos pra nos misturarmos. Acendi outro cigarro e fiquei ali, conversando na roda, no quintal. O Fernando me mostrou os três charutos que ele trouxe (começamos a fumar charutos há um tempinho atrás). Aí um tal de Armando sacou um Volvo (charuto) e falou:- Então vocês curtem um charuto também?
- É, olha o cara, esnobando! - disse o Fernando com aquela sinceridade maldita
- Vocês estão fumando qual?
- Pimentel, é da Bahia. Muito bom, acho que é o melhor nacional. - respondi pra ele, tentando passar a impressão de que entendia do assunto
- Deixa eu provar um pouco... Baforou nosso humilde charuto.
- O Pimentel é bom, sim!
- Bom é o seu! - disse o Fernando, louco pra queimar aquela merda importada
- Vou guardar esse aqui, mas a gente fuma depois - disse Armando, enquanto escondia o charuto no bolso.
Nem fodendo que ele deixaria a gente fumar aquela merda. Não vimos nem a cor dele.Os namorados bissexuais da Cy e da Dani saíram juntos. Aí a Cy se ouriçou toda! hahahaha! Primeiro o Bena lascou vários beijos monstruosos nela. E ela adorou, porra, ela precisava de homens! Depois eu passei por ela, e ela deu um murro no meu peito! Legal! Me abraçou, depois esfregou aquela bundinha no meu pau. Porra. Quase gozei ali mesmo! haahhaha! Depois sentou no meu colo (eu estava sentado no sofá) e foi aquela maravilha. Só que o Henrique (outro bicha, mas muito gente fina) tirou a garota do meu colo! Porra! Era ali! Naquela hora! Mas não! Puta que pariu! Depois o Luis, tio da Dani enrolou outro baseado e ficamos ali, fumando, ele, uma mulher baixinha e loira, o Fernando e eu. Enquanto estávamos ali, curtindo o baseadinho, o Dengue, um amigão, bebeu mais do que podia, fumou alguns tragos de maconha e já estava no banheiro passando mal. Vomitou na privada, na pia da cozinha, no pote do liquidificador. Ele realmente estava mal, afogado nas águas da depressão alcólica, sentado na privada, no escuro. Fazer o quê? Temos que nos preparar pra tudo. Eu confesso que vejo dignidade na loucura que o álcool trás. Diabos, que papo de bebum... hahahaha!
O tempo foi se abreviando mais e mais, e não podíamos ficar mais. Nos despedimos de todos, e o Benício, com sua habilidade social, saiu elogiando o Armando, o cara do charuto importado, que passou a noite inteira fazendo batidas sofisticadas... ah! sofisticadas? A gente nem notou isso... Abraço pra lá, beijo pra cá, e algo me chamou a atenção: a Cynara me despediu com beijos no rosto, no canto da boca, no pescoço! Eu sei que não tem nada a ver... somos todos jovens e putões, mas adorei essa despedida! Acho que devo visitá-la mais... e sair mais vezes!No caminho para a DJ, eu e o Fernando conversávamos e o Benício ficava pra trás, trêbado. Ele adotou um novo apelido para mim: BUKOWSKI. Adorei, afinal, o cara é o meu ídolo! hahahaha! Só que se ele simplesmente me chamasse de Bukowski, como regularmente me chama de Pipoko, seria legal. Porém, no caminho pra DJ, ele ficava gritando com todos os pulmões possíveis:
- BUKOWSKI!!!! Você é meu irmão, Bukowski!
Eu morria de rir, o Fernando ria pra caralho... tudo estava divertido. Até que como uma mula, o Bena empacou. À vinte metros da DJ! Queria dormir na grama, na frente de um prédio comercial.
- Bena, vâmo lá, jay! Já tâmo aqui do lado... - supliquei com toda ternura
- Ô Bukowski, se vocês quiserem entrar, podem ir... vou ficar aqui dormindo... - balbuciou o Bena
- Porra Benício, você vai estragar nossa noite mesmo, jão? Porra! Vâmo lá! - Fernando implorou de modo imperativo
- Jay, eu tô dizendo. Eu tô loucão. Eu não vou entrar na DJ assim. Espera um pouco, deixa eu me recuperar! - respondeu Benício
- Ah, mano... eu não vou entrar sem você, Bena, vai se foder... vamo entrar aí! - tentei pela última vez
- Benício, caralho! Se você não entrar, eu não entro... mas também nunca mais saio com você de rolê! - Fernando ameaçou
- O caralho, mano! Se você quer ficar nervoso, eu também posso ficar! Eu já disse que eu não vou entrar na merda da DJ porque eu tô zoado, porra! Se você não quiser entrar, não entra! Agora não vem com essas ameaças não! - respondeu o Benício putasso
O meu desespero e o do Fernando se intensificava, porque dava pra ouvir o som que estava na pista. Os Ramones estavam dando o som. Blitzkrieg Bop. Enfim, conseguimos convencer o Benício a ir com a gente. Carregamos ele até a entrada da DJ. Poucos problemas depois (ele não sabia o nome dele mesmo), entramos e nos misturamos com os vermes. O Erich, a Sílvia e o Kurt estavam de saída. O Zafa e a Elisa estavam na recepção. Conversamos algumas coisas e fomos pra pista. O Benício caiu num puf e não levantou mais até o fim da balada. Gastei toda a minha comanda com água mineral. Desperdicei uma garrafinha jogando água na pista... afinal, estava tocando "Buldog Skin" do Guided by Voices... para poucos, man! Nos acabamos na pista. Eu olhava pro Fernando e nós dois, telepáticamente nos comunicávamos... sabíamos que ninguém se divertiu e causou tanto quanto a gente naquela noite.
- Bukowsky, vamos numa festa na casa da Cynara? Jay, vai rolar breja, umas minas... vâmo?
Putz, até hoje eu não entendo o motivo do Benício me chamar. Ele sabe que é só dizer o local e a hora que eu tô lá. Mas beleza, deve ser algo mais formal da parte dele. Foda-se a formalidade. Marcamos na estação do metrô da Consolação. O Bena queria descer a Augusta e passar pela Oscar Freire (rua burguesa de merda). Passamos e ficamos olhando aquela mulherada gostosa, com sacolas e mais sacolas nas mãos. Só grife famosa. Aquela mulherada, cheia da grana pra gastar... Nessas horas eu penso em como seria feliz tendo uma senhora pra cuidar de mim. Mas beleza, por enquanto ficamos na putaria, fazer o quê? Atravessamos a Rebouças e entramos na Teodoro Sampaio. O Fernando estava à caminho, iria nos encontrar lá.
Conversa vem, conversa vai e lá estávamos, o Hemingway e eu em frente à casa da Cynara. Tocamos a campainha e a Cynara surge com um sorriso imenso, de orelha à orelha. Bem, ela tem um semblante simpático, como dizem as porras dos hippies, auto-astral. Cabelinho curto, piercing no nariz (acho que era no nariz) e sim, um sorriso maravilhoso!! Adorei conhecê-la (ahã, eu não a conhecia!). O Bena me apresentou como Felipe e ela me deu um abraço forte, daqueles bem apertados. Senti um clima legal no ar. Chegamos lá, umas seis pessoas disputavam o pequeno espaço do sofá para assistir Trainspotting. Aquele filme é demais. Você pode assitir quatrocentas e quatorze vezes (?) que você não enjoa. Sempre encontra um detalhe inédito. Chegamos no fim do filme, tudo bem. Nos apresentamos pro pessoal, todo mundo com uma cervejinha na mão, um drink de vodka rodando nas mãos de todos... escurinho. Fiquei deitado no chão com uma puta almofada. Acendi um cigarro e fiquei na minha, em silêncio. O Bena ficava causando, falando várias coisas pra elas. Comecei a notar uma coisa: a Cynara e a Dani (uma amiga gostosa dela, muito gente fina, diga-se por passagem) têm namorados. E eles dois tem uma coisa em comum: bissexuais! E mais levados pro lado bicha, mesmo! Putz... olhei pras duas e pensei:
- Puta desperdício do caralho!
Um deles bolou um baseadinho e passou pra gente. Demos uns pegas (o Bena não) só pra relaxar. Tava tudo tranquilo, na boa. O Bena e eu saímos pra comprar mais cerveja, afinal, só faltava mais uma caixa pra acabar o estoque e claro, o desespero bate! Uma moreninha gostosinha foi abrir o portão pra gente, e nós a convidamos pra ir conosco. Ela topou e começou a conversar com o Bena. O estilo de xaveco do Bena nunca é o mesmo, talvez seja esse o motivo pelo qual as garotas não fogem, não conseguem arranjar uma desculpa pra se livrar de suas garras. Porém a Rafaela se estragou na maconha e na vodka. Ela começou a fraquejar, dentro do supermercado. De repente se apoiou em mim, e eu fui guiando a garota até a volta. Tivemos que subir algumas escadas, e ela não aguentou. Tive que sentá-la numa calçada e esperar a brisa dela passar. O Fernando ligou dizendo que já estava na região mas não sabia onde ficava a casa. O Bena passou o endereço e mandou ele se virar. Enquanto isso, eu acariciava a Rafaela, pra ver se ela se aclamava, afinal, ela tava puta da vida:
- Porra! Detesto fumar maconha! Olha como eu fico!! - gritou revoltada
- Relaxa, minha vida, essa brisa passa. Fica de boa. - respondi com calma, colocando a cabeça dela no meu ombro
- Vocês não querem ficar aí enquanto eu vou buscar o Fernando? - perguntou o Bena, preocupado com o senso de localização do Fernando
- Não jay, peraê que ela levanta aqui, só um minutinho... Com dificuldades levantei a Rafa e continuei guiando a moça.
Olha a merda em que fomos parar... hahahaha... Eu também estava na brisa, mas aquela brisa legal, relaxante.Enfim chegamos à casa da Cy, e já dava pra ver o Fernando se misturando com o pessoal lá dentro da casa.
- Fala Fê! Que bom te ver!! - falei dando um abraço nele
- E aê jão! Até que enfim chegaram!
- Putz, a mina ali ficou chapadona de erva e tivemos que trazê-la nos braços!
- O que? Erva? Onde? Porra, nem me esperaram! - mandou sem dó
- Calma, jay, o pessoal tem mais! Tá tirando? hahahaha - falei com incerteza, afinal, nem sabia quem tinha a erva
Colocamos as brejas no congelador e saímos pra nos misturarmos. Acendi outro cigarro e fiquei ali, conversando na roda, no quintal. O Fernando me mostrou os três charutos que ele trouxe (começamos a fumar charutos há um tempinho atrás). Aí um tal de Armando sacou um Volvo (charuto) e falou:- Então vocês curtem um charuto também?
- É, olha o cara, esnobando! - disse o Fernando com aquela sinceridade maldita
- Vocês estão fumando qual?
- Pimentel, é da Bahia. Muito bom, acho que é o melhor nacional. - respondi pra ele, tentando passar a impressão de que entendia do assunto
- Deixa eu provar um pouco... Baforou nosso humilde charuto.
- O Pimentel é bom, sim!
- Bom é o seu! - disse o Fernando, louco pra queimar aquela merda importada
- Vou guardar esse aqui, mas a gente fuma depois - disse Armando, enquanto escondia o charuto no bolso.
Nem fodendo que ele deixaria a gente fumar aquela merda. Não vimos nem a cor dele.Os namorados bissexuais da Cy e da Dani saíram juntos. Aí a Cy se ouriçou toda! hahahaha! Primeiro o Bena lascou vários beijos monstruosos nela. E ela adorou, porra, ela precisava de homens! Depois eu passei por ela, e ela deu um murro no meu peito! Legal! Me abraçou, depois esfregou aquela bundinha no meu pau. Porra. Quase gozei ali mesmo! haahhaha! Depois sentou no meu colo (eu estava sentado no sofá) e foi aquela maravilha. Só que o Henrique (outro bicha, mas muito gente fina) tirou a garota do meu colo! Porra! Era ali! Naquela hora! Mas não! Puta que pariu! Depois o Luis, tio da Dani enrolou outro baseado e ficamos ali, fumando, ele, uma mulher baixinha e loira, o Fernando e eu. Enquanto estávamos ali, curtindo o baseadinho, o Dengue, um amigão, bebeu mais do que podia, fumou alguns tragos de maconha e já estava no banheiro passando mal. Vomitou na privada, na pia da cozinha, no pote do liquidificador. Ele realmente estava mal, afogado nas águas da depressão alcólica, sentado na privada, no escuro. Fazer o quê? Temos que nos preparar pra tudo. Eu confesso que vejo dignidade na loucura que o álcool trás. Diabos, que papo de bebum... hahahaha!
O tempo foi se abreviando mais e mais, e não podíamos ficar mais. Nos despedimos de todos, e o Benício, com sua habilidade social, saiu elogiando o Armando, o cara do charuto importado, que passou a noite inteira fazendo batidas sofisticadas... ah! sofisticadas? A gente nem notou isso... Abraço pra lá, beijo pra cá, e algo me chamou a atenção: a Cynara me despediu com beijos no rosto, no canto da boca, no pescoço! Eu sei que não tem nada a ver... somos todos jovens e putões, mas adorei essa despedida! Acho que devo visitá-la mais... e sair mais vezes!No caminho para a DJ, eu e o Fernando conversávamos e o Benício ficava pra trás, trêbado. Ele adotou um novo apelido para mim: BUKOWSKI. Adorei, afinal, o cara é o meu ídolo! hahahaha! Só que se ele simplesmente me chamasse de Bukowski, como regularmente me chama de Pipoko, seria legal. Porém, no caminho pra DJ, ele ficava gritando com todos os pulmões possíveis:
- BUKOWSKI!!!! Você é meu irmão, Bukowski!
Eu morria de rir, o Fernando ria pra caralho... tudo estava divertido. Até que como uma mula, o Bena empacou. À vinte metros da DJ! Queria dormir na grama, na frente de um prédio comercial.
- Bena, vâmo lá, jay! Já tâmo aqui do lado... - supliquei com toda ternura
- Ô Bukowski, se vocês quiserem entrar, podem ir... vou ficar aqui dormindo... - balbuciou o Bena
- Porra Benício, você vai estragar nossa noite mesmo, jão? Porra! Vâmo lá! - Fernando implorou de modo imperativo
- Jay, eu tô dizendo. Eu tô loucão. Eu não vou entrar na DJ assim. Espera um pouco, deixa eu me recuperar! - respondeu Benício
- Ah, mano... eu não vou entrar sem você, Bena, vai se foder... vamo entrar aí! - tentei pela última vez
- Benício, caralho! Se você não entrar, eu não entro... mas também nunca mais saio com você de rolê! - Fernando ameaçou
- O caralho, mano! Se você quer ficar nervoso, eu também posso ficar! Eu já disse que eu não vou entrar na merda da DJ porque eu tô zoado, porra! Se você não quiser entrar, não entra! Agora não vem com essas ameaças não! - respondeu o Benício putasso
O meu desespero e o do Fernando se intensificava, porque dava pra ouvir o som que estava na pista. Os Ramones estavam dando o som. Blitzkrieg Bop. Enfim, conseguimos convencer o Benício a ir com a gente. Carregamos ele até a entrada da DJ. Poucos problemas depois (ele não sabia o nome dele mesmo), entramos e nos misturamos com os vermes. O Erich, a Sílvia e o Kurt estavam de saída. O Zafa e a Elisa estavam na recepção. Conversamos algumas coisas e fomos pra pista. O Benício caiu num puf e não levantou mais até o fim da balada. Gastei toda a minha comanda com água mineral. Desperdicei uma garrafinha jogando água na pista... afinal, estava tocando "Buldog Skin" do Guided by Voices... para poucos, man! Nos acabamos na pista. Eu olhava pro Fernando e nós dois, telepáticamente nos comunicávamos... sabíamos que ninguém se divertiu e causou tanto quanto a gente naquela noite.
sexta-feira, dezembro 23, 2005
Pra matar a saudade
O Valtinho me manda um scrap: "Ai minha vida, amanhã vamos tomar umas na paulista. Tô injuriadasso, vai preparado pra não voltar pra casa". Um bom sinal. Afinal, eu também tava louco pra beber. Comentei com o Valtinho que a única coisa alcólica que tinha em casa é um Sangue de Boi (terrível) e um licor de cassis Stock. Putz, eu não sei o que é pior na vida. Não ter nada pra beber ou só ter merda! O dinheiro tava escasso e eu querendo comprar um vinho decente, um tinto feito de uva Merlot. Ok. Marcamos pras 20:00hs lá no Ibotirama.
Saí de casa como um maltrapilho. Camisa surrada, causa amassada e o meu tênis tava sujão. Mas tá valendo. Nas mãos o meu Lucky Strike, o celular e claro: um charuto. Chegando lá, claro que o Benício não havia chegado. A Pri, a Dani e a Elisa já estavam tomando uma Original. Pedi uma Skol (Original é cara demais, vai se foder). O Tips e a Grace chegaram, e pra variar, o Tips serrou um cigarrinho meu. Ficamos conversando sobre putaria (como não?) e aí o Marcelo chegou. O Marcelo é um cara que trabalha lá na minha ex-empresa. Curte a cena alternativa., é um cara legal. O foda é que ele não bebe. É mórmom!! Eu tinha uma idéia dos mórmons, todo mundo era missionário, usava aquelas camisas sociais brancas, gravatas pretas e calças pretas. Mas esse Marcelo quebrou tudo! hahahaha... eu não sei, mas mesmo sem um pingo de álcool no sangue, o cara conseguiu curtir a noite como se estivesse chapado! Jay, essa eu não entendi. Como se divertir sem aquela boa dose de vodka, ou aquele generoso copo de cerveja gelada? Vai entender esses loucos. Conversa vai, conversa vem, e os vermes começam a chegar e a se aglomerar em uma mesinha no apertado espaço externo do Ibotirama. O Benício e o Valtinho confabulavam entre si, até que saiu a idéia: vamos no Pão de Açucar comprar vodka! Maravilha! O Benício, Valtinho, Marcelo e eu saímos em passos apressados em direção à rua da Consolação, em busca do líquido sagrado russo. Compramos duas garrafas de Smirnoff (que nos dava de brinde um copo e um socador de limão) e uma soda. Saímos do mercado, e já servimos o copo em plena Paulista. Bebericamos, matamos nossa vontade. Quando chegamos no Ibotirama, a garrafa já chegava na metade. O Zafa chegou uns minutos depois com uma amiga que havia acabado de conhecer, a Pamela. Merda de nome... hehehehe. É claro que hoje, todas as Pamelas que conheço são doces como mel (esse é o significado do nome Pamela). Porém, já me trouxeram problemas demais. O Tips havia ido ao bar em frente, porque a cerveja lá é mais barata, porém, ele voltou e acendeu meu charuto. O filho da puta babou tanto nele, que por alguns segundos, pensei que ele estivesse simulando um boquete, ali, ao vivo. Ficamos baforando o charuto, parecendo uma roda de maconheiros. Bebemos as duas garrafas e chegamos ao auge de nossa bebedeira. A conta deu 44 reais. E vocês acham que a gente pagou? Vai pensando, amigo. Quando todos estavam fora e se deram conta de que ninguém havia pago a conta, corremos até virar na Bela Cintra. Comemos umas pizzas de frango com catupiry, e entramos na Fun House (totalmente desarrumados). O lugar estava lotado. Maravilha. Demos uma geral em baixo e depois subimos pra ficar ao lado da Jukebox. Eu não estava nas melhores condições. O vômito chegava a minha garganta e uma força descomunal barrava o coitado. Eu já estava de cabeça virada, pronto pra dar aquela gorfada fodida. Fiquei pensando: "Diabos, vai ter macarrão nesse vômito...". Bêbado é foda. O Zafa, o Valtinho e o Benício desapareceram no meio da agitação. O Marcelo ficou sentado no sofá e eu, deitado no chão ao lado do sofá. As meninas ficaram deitadas ao meu lado, umas pegando no meu pau, afinal, quando eu chapo o côco, fico fácil pra caralho. Dormi por uns trinta minutos e quando acordo, a Gabriela aparece e deita ao meu lado. Aí ficou me dando cafuné:
- Então você é dessas? - perguntei
Passei minhas mãos entre os cabelos dela e não demorou muito pra nos beijarmos. Ficamos nos beijando por muito tempo, talvez uma hora. O beijo dela era ótimo e havia tirado de vez meu sono! hahahaha! De repente o Valtinho aparece ao meu lado, sentado no sofá:
- Aê Jay, tô zoado... - balbuciou o Valtinho
- Só não vai vomitar em cima de mim, porra. - respondi com firmeza
Depois fiquei conversando com a Gabi por um tempo... ela também tem uma grife. Aí a conversa rolou solta. A madrugada passou num piscar de olhos e quando notei, já estava levantando pra ir embora. Eu estava com escassez de dinheiro (como havia dito no começo) e o Zafa pagou a minha (ou teria sido o Valtinho?), seja quem for, obrigado!
Saímos bagunçados, e cada um rolou para o seu lado. Hoje tem mais, caralho! Lá na casa Cynara e depois o China. Depois tem DJ Club e depois só os deuses sabem o que vai rolar! Foda-se meu fígado!
Saí de casa como um maltrapilho. Camisa surrada, causa amassada e o meu tênis tava sujão. Mas tá valendo. Nas mãos o meu Lucky Strike, o celular e claro: um charuto. Chegando lá, claro que o Benício não havia chegado. A Pri, a Dani e a Elisa já estavam tomando uma Original. Pedi uma Skol (Original é cara demais, vai se foder). O Tips e a Grace chegaram, e pra variar, o Tips serrou um cigarrinho meu. Ficamos conversando sobre putaria (como não?) e aí o Marcelo chegou. O Marcelo é um cara que trabalha lá na minha ex-empresa. Curte a cena alternativa., é um cara legal. O foda é que ele não bebe. É mórmom!! Eu tinha uma idéia dos mórmons, todo mundo era missionário, usava aquelas camisas sociais brancas, gravatas pretas e calças pretas. Mas esse Marcelo quebrou tudo! hahahaha... eu não sei, mas mesmo sem um pingo de álcool no sangue, o cara conseguiu curtir a noite como se estivesse chapado! Jay, essa eu não entendi. Como se divertir sem aquela boa dose de vodka, ou aquele generoso copo de cerveja gelada? Vai entender esses loucos. Conversa vai, conversa vem, e os vermes começam a chegar e a se aglomerar em uma mesinha no apertado espaço externo do Ibotirama. O Benício e o Valtinho confabulavam entre si, até que saiu a idéia: vamos no Pão de Açucar comprar vodka! Maravilha! O Benício, Valtinho, Marcelo e eu saímos em passos apressados em direção à rua da Consolação, em busca do líquido sagrado russo. Compramos duas garrafas de Smirnoff (que nos dava de brinde um copo e um socador de limão) e uma soda. Saímos do mercado, e já servimos o copo em plena Paulista. Bebericamos, matamos nossa vontade. Quando chegamos no Ibotirama, a garrafa já chegava na metade. O Zafa chegou uns minutos depois com uma amiga que havia acabado de conhecer, a Pamela. Merda de nome... hehehehe. É claro que hoje, todas as Pamelas que conheço são doces como mel (esse é o significado do nome Pamela). Porém, já me trouxeram problemas demais. O Tips havia ido ao bar em frente, porque a cerveja lá é mais barata, porém, ele voltou e acendeu meu charuto. O filho da puta babou tanto nele, que por alguns segundos, pensei que ele estivesse simulando um boquete, ali, ao vivo. Ficamos baforando o charuto, parecendo uma roda de maconheiros. Bebemos as duas garrafas e chegamos ao auge de nossa bebedeira. A conta deu 44 reais. E vocês acham que a gente pagou? Vai pensando, amigo. Quando todos estavam fora e se deram conta de que ninguém havia pago a conta, corremos até virar na Bela Cintra. Comemos umas pizzas de frango com catupiry, e entramos na Fun House (totalmente desarrumados). O lugar estava lotado. Maravilha. Demos uma geral em baixo e depois subimos pra ficar ao lado da Jukebox. Eu não estava nas melhores condições. O vômito chegava a minha garganta e uma força descomunal barrava o coitado. Eu já estava de cabeça virada, pronto pra dar aquela gorfada fodida. Fiquei pensando: "Diabos, vai ter macarrão nesse vômito...". Bêbado é foda. O Zafa, o Valtinho e o Benício desapareceram no meio da agitação. O Marcelo ficou sentado no sofá e eu, deitado no chão ao lado do sofá. As meninas ficaram deitadas ao meu lado, umas pegando no meu pau, afinal, quando eu chapo o côco, fico fácil pra caralho. Dormi por uns trinta minutos e quando acordo, a Gabriela aparece e deita ao meu lado. Aí ficou me dando cafuné:
- Então você é dessas? - perguntei
Passei minhas mãos entre os cabelos dela e não demorou muito pra nos beijarmos. Ficamos nos beijando por muito tempo, talvez uma hora. O beijo dela era ótimo e havia tirado de vez meu sono! hahahaha! De repente o Valtinho aparece ao meu lado, sentado no sofá:
- Aê Jay, tô zoado... - balbuciou o Valtinho
- Só não vai vomitar em cima de mim, porra. - respondi com firmeza
Depois fiquei conversando com a Gabi por um tempo... ela também tem uma grife. Aí a conversa rolou solta. A madrugada passou num piscar de olhos e quando notei, já estava levantando pra ir embora. Eu estava com escassez de dinheiro (como havia dito no começo) e o Zafa pagou a minha (ou teria sido o Valtinho?), seja quem for, obrigado!
Saímos bagunçados, e cada um rolou para o seu lado. Hoje tem mais, caralho! Lá na casa Cynara e depois o China. Depois tem DJ Club e depois só os deuses sabem o que vai rolar! Foda-se meu fígado!
quarta-feira, dezembro 21, 2005
Segunda-feira... esse Benício é foda
Como havia prometido o domingo pra Alê e não cumpri (ressaca maldita), tive que ceder a manhã da minha segunda só pra ela... Nos encontramos como sempre na pedra do Masp. Andamos um pouco, fomos até o Parque do Trianon. Uma repórter do Estadão estava lá e nos entrevistou, coisas do tipo: "que programa cultural você não fez no ano e que gostaria de fazer até o fim desse ano?". Bem, respondi sobre uma amostra de pop-art que teve no Tomie Otake e que infelizmente não fui. Maravilha. Ainda por cima a fotógrafa apareceu e pediu pra tirarmos algumas fotos... Confesso que me senti "o famoso", que idiota. Logo após esse blá-blá-blá, fomos almoçar. A Alê estava com vontade de comer carne... e eu camarão. Legal, fomos cada um pra um lado e nos encontramos depois.
Após o almoço, encontramos no caminho o Benício. Esse Benício, é foda. Bebe mais que todos no grupo. E detalhe: não cai! Deixamos a Alê no ônibus e voltamos pra Augusta, pra quê? Um real pra quem adivinhar! Beber, é claro. Ficamos bebendo a tarde inteira, como dois ricos de vida ganha. Mulher pra cá, mulhere pra lá... aquele desfile de coxas e bundas. Quem aguenta? Conversas diversas. Vida sentimental. Trepadas. Detalhes de trepadas. As noites passadas em que bebemos e finalmente deixamos de valer o único centavo que valíamos. Música, o nosso velho rock alternativo. Amigos, é claro, só coisas boas...
- Por isso que eu saio com vocês, jay. Eu confio em vocês. Sei que não levaria uma facada por trás. - confessei à ele.
- Você tá louco, Pipoko? Ninguém faria isso nem em mil anos!
- Por isso que eu ando com vocês.
Acabando a breja, pechinxamos a saidera. Ficou faltando uns 60 centavos e o cara do bar liberou pra gente (a cerveja, porra). Tenho que parar de andar com dinheiro no banco. Em várias ocasiões entro num bar e pergunto:
- Aceita Visa Electron?
- Não.
Porra! Ninguém se atualiza nessa vida? O pior de tudo é você não poder comprar seu cigarro no cartão. Tem bares que aceitam, porém, com o acréscimo de um real! Pra puta que pariu! Três e cinquenta é quase o preço do Benson and Hudges! Nem fodendo. Mas também não fumo outra marca. Só Lucky Strike. Fazer o quê? Quando eu tinha doze anos, vi uma propaganda do Lucky Strike, com a Moloko cantando Fun for Me. Caralho! Tava muito boa, as propagandas do Marlboro com aquele caubói não me seduziam. "Entre para o mundo de Marlboro", eu não entendia bulhufas daquela joça. Agora, se você poe Fun for Me com uma mulher jogando aquela fumaça pra cima... aquela clima melancólico. Putz, viciei em cigarro desde aquele dia!
- Quando eu crescer, se eu fumar, quero fumar Lucky Strike!
Chegamos no shopping Paulista e lá, procuramos um livro de Bukowsky que eu queria ler. Na última livraria, consegui achar... estava feito. Porém, queríamos ver mais mulheres. Eu aconselhei a área de fumantes. Cara, lá você tá feito. Você acende seu cigarro, e espera. E logo aparecem aquelas vendedoras gostosas, acendendo seus cigarros também. Demais! Japonesas, loiras, morenas... uma melhor que a outra e mais: ficam sentadinhas ao seu lado! O Benício surtou.
- Jay! O que era aquela japonesa?! - perguntou Benício olhando a oriental deixar a área de fumantes.
- Não te falei?? Aqui é uma rede repleta de peixes, mano.
Depois, andamos mais um pouco na Paulista. É foda. Você com muita cerveja na cabeça, aquele sorrido de maníaco na cara, aquela avenida Paulista lotada de mulheres excepcionais.
- Deus pede pra não pecar, mas faz umas coisas dessas!! Aí é pedir demais! - comentei.
- Pode crer, man. Não tinha pensado nisso!
- Vamos perguntar pra Deus lá no céu o porquê de tanta tentação gratuita.
Após o almoço, encontramos no caminho o Benício. Esse Benício, é foda. Bebe mais que todos no grupo. E detalhe: não cai! Deixamos a Alê no ônibus e voltamos pra Augusta, pra quê? Um real pra quem adivinhar! Beber, é claro. Ficamos bebendo a tarde inteira, como dois ricos de vida ganha. Mulher pra cá, mulhere pra lá... aquele desfile de coxas e bundas. Quem aguenta? Conversas diversas. Vida sentimental. Trepadas. Detalhes de trepadas. As noites passadas em que bebemos e finalmente deixamos de valer o único centavo que valíamos. Música, o nosso velho rock alternativo. Amigos, é claro, só coisas boas...
- Por isso que eu saio com vocês, jay. Eu confio em vocês. Sei que não levaria uma facada por trás. - confessei à ele.
- Você tá louco, Pipoko? Ninguém faria isso nem em mil anos!
- Por isso que eu ando com vocês.
Acabando a breja, pechinxamos a saidera. Ficou faltando uns 60 centavos e o cara do bar liberou pra gente (a cerveja, porra). Tenho que parar de andar com dinheiro no banco. Em várias ocasiões entro num bar e pergunto:
- Aceita Visa Electron?
- Não.
Porra! Ninguém se atualiza nessa vida? O pior de tudo é você não poder comprar seu cigarro no cartão. Tem bares que aceitam, porém, com o acréscimo de um real! Pra puta que pariu! Três e cinquenta é quase o preço do Benson and Hudges! Nem fodendo. Mas também não fumo outra marca. Só Lucky Strike. Fazer o quê? Quando eu tinha doze anos, vi uma propaganda do Lucky Strike, com a Moloko cantando Fun for Me. Caralho! Tava muito boa, as propagandas do Marlboro com aquele caubói não me seduziam. "Entre para o mundo de Marlboro", eu não entendia bulhufas daquela joça. Agora, se você poe Fun for Me com uma mulher jogando aquela fumaça pra cima... aquela clima melancólico. Putz, viciei em cigarro desde aquele dia!
- Quando eu crescer, se eu fumar, quero fumar Lucky Strike!
Chegamos no shopping Paulista e lá, procuramos um livro de Bukowsky que eu queria ler. Na última livraria, consegui achar... estava feito. Porém, queríamos ver mais mulheres. Eu aconselhei a área de fumantes. Cara, lá você tá feito. Você acende seu cigarro, e espera. E logo aparecem aquelas vendedoras gostosas, acendendo seus cigarros também. Demais! Japonesas, loiras, morenas... uma melhor que a outra e mais: ficam sentadinhas ao seu lado! O Benício surtou.
- Jay! O que era aquela japonesa?! - perguntou Benício olhando a oriental deixar a área de fumantes.
- Não te falei?? Aqui é uma rede repleta de peixes, mano.
Depois, andamos mais um pouco na Paulista. É foda. Você com muita cerveja na cabeça, aquele sorrido de maníaco na cara, aquela avenida Paulista lotada de mulheres excepcionais.
- Deus pede pra não pecar, mas faz umas coisas dessas!! Aí é pedir demais! - comentei.
- Pode crer, man. Não tinha pensado nisso!
- Vamos perguntar pra Deus lá no céu o porquê de tanta tentação gratuita.
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