segunda-feira, janeiro 21, 2008

Amarelo Mostarda

quando o papel se abre, eis o desafio
são poucos os segundos que nos separam
de uma genialidade
ou de uma estupidez
vislumbro a mostarda e queria meus dias
amargos e saborosos como ela
dias amarelo mostarda
quando andava sem camisa em cima de muros
de telhados e sonhos
quando não via futuro, quando tudo era
muito riso e pouco ciso
quando a vara de bambu saiu da bíblia direto para as minhas costas
quando a barata interviu na ceia e parou uma oração
quando jogávamos futebol em campos de cuspe
quando devíamos e não temíamos

dias amarelo mostarda
não voltarão
dias se tornam vermelho sangue
dia após dia
e a trilha se estreita
assim como queria o homem que um dia foi tudo
e hoje nem sei quem é
ando uma trilha estreita
mas não vou morar no céu
na estrada só cabe um pé
mesmo assim
não vou morar no céu
no seu céu sereno
serenatas e cerejeiras

será? será o que?

Um comentário:

Camilla disse...

nossa amor, cada vez mais lindos os seu poemas. Gosto da maneira como eles me tocam e me fazem refletir sobre a vida. Você acaba retratando a vida como se ela fosse simples e ácida...